Pela primeira vez na história, uma seleção campeã do mundo vai ficar fora de uma Copa do Mundo em três edição consecutivas. Nesta terça-feira (31), a Itália viu ampliar seu calvário ao ser derrotada pela Bósnia nos pênaltis. Ausente dos Mundiais de 2018 e 2022, a equipe tetracampeã mundial também não vai brigar pelo título neste ano, na América do Norte.
Depois de 1 a 1 no tempo normal, a Bósnia venceu nas penalidades por 4 a 1 e agora vai entrar no Grupo B do Mundial, ao lado de Canadá, Qatar e Suíça.
Nos últimos dois ciclos, a Itália também caiu na repescagem. Em 2018, perdeu para a Suécia. Depois, em 2022, foi surpreendida pela Macedônia do Norte.
Na véspera da partida diante da Bósnia, o técnico Gennaro Gattuso havia dito novamente que sentia o “peso do país sobre os ombros”. Quando a bola rolou, os jogadores italianos pareciam lidar com a mesma pressão. A Bósnia teve mais iniciativa, com 13 finalizações no primeiro tempo, exigindo boas defesas de Donnarumma.
Mas, em lance de infelicidade do goleiro Vasilj, foram os visitantes que abriram o placar. Aos 14 minutos, o camisa 1 errou em uma saída de bola, Barella recuperou e serviu para Kean, que acertou chute de chapa, de primeira, para colocar a Itália em vantagem.
O gol não mudou a postura das equipes. A Bósnia continuou mais presente no ataque, enquanto a seleção italiana tinha dificuldade para ficar com a bola. Para piorar, aos 40 minutos, o zagueiro Bastoni foi expulso pelo árbitro francês Clément Turpin por falta em Memic, que tinha uma chance clara de avançar até o gol.
A escalação de Turpin para apitar o confronto trouxe más recordações para os italianos. Também foi ele que comandou o jogo no qual a Macedônia do Norte venceu a Itália por 1 a 0 na repescagem da Copa do Mundo de 2022.
Bastoni, contudo, nem reclamou de sua expulsão, como se reconhecesse seu erro. Imediatamente, Gattuso sacou o atacante Retegui e colocou o zagueiro Gatti para recompor a defesa, já antevendo o aumento da pressão da Bósnia.
De fato, assim como na etapa inicial, a Bósnia se manteve mais presente no ataque, mas com dificuldade de criar chances claras de gol.
Quando cansavam de rodar a bola perto da grande área, os bósnios apelavam para cruzamentos na área ou chutes de longa distância, facilitando a vida dos defensores italianos.
Apesar de quase não criar no segundo tempo, a Itália teve duas grandes chances de ampliar. A primeira foi novamente com Kean. Em contra-ataque, ele teve a oportunidade de disparar do meio de campo até o gol livre de marcação, mas, cara a cara com o goleiro, chutou por cima, aos 14 minutos.
Depois, foi a vez de Dimarco finalizar cruzado, mas esbarrar em boa defesa de Vasilj, aos 31 minutos. O castigo por não matar o jogo veio pouco tempo depois, aos 33, quando Tabakovic aproveitou um rebote de Donnarumma após cruzamento na área e empatou a partida.
Sob um clima de apreensão durante boa parte do segundo tempo, o estádio Bilino Polje voltou a exibir o cenário hostil encontrado pela Itália ao chegar ao palco da partida.
Escolhido para o confronto, o modesto estádio não estava cheio, pois sua capacidade de 16 mil lugares foi reduzida para 9.000 por causa de uma punição da Fifa aos bósnios, após episódios de discriminação em jogo contra a Romênia, pelas Eliminatórias.
De acordo com o jornal italiano Gazetta dello Sport, para driblar a redução, proprietários de casas com vista para o campo alugaram espaços para alguns torcedores. Durante a partida, muitos deles acenderam sinalizadores nas varandas dos apartamentos.
A fumaça invadiu o gramado depois do gol da Bósnia, que pressionou para evitar a prorrogação, mas não conseguiu achar o caminho do gol novamente.
No tempo extra, o placar permaneceu como estava, levando a disputa para os pênaltis, que terminou com 4 a 1 para a Bósnia.

