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Esporte

Se não dormir, não corra – 02/02/2026 – No Corre

Num desses cortes de vídeos que existem aos milhares no Instagram, dei estes dias com o

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Num desses cortes de vídeos que existem aos milhares no Instagram, dei estes dias com o treinador Ademir Paulino, da assessoria de corrida que leva seu nome, a discorrer sobre a importância do sono.

Ademir, de quem a coluna já falou também aqui, ao assumir posição na marca esportiva africana Enda, chegou a usar a expressão “doping do sono” para aludir à vantagem que um atleta teria sobre a concorrência ao simplesmente observar uma rotina estrita e judiciosa de descanso noturno.

Não pude deixar de pensar no hoje pouco lembrado Nuno Cobra, o educador físico de, entre outros, Ayrton Senna, o homem responsável por tornar o “coraçãozinho pequeno” do santificado piloto num “[sistema] cardiovascular abundante”. As aspas são do próprio Nuno, ditas a este repórter em 2017.

Em seu best-seller de 2000, “A Semente da Vitória”, que atingiu um número de reedições impressionante –o exemplar que eu retirei da biblioteca Mário de Andrade sábado retrasado pertence à 92ª–, o homem registra sem meias palavras a importância do sono, considerando-o “item número um” daquilo que ficou conhecido como “Método Nuno Cobra”.

Se fosse preciso violar o método, que também prescreve alimentação cuidadosa e atividade física, o sono seria com certeza a última bastilha.

“É a coisa mais importante, o ponto de partida, a base sobre a qual vai se assentar toda a atividade física –e o ponto de chegada, pois será por meio de boas horas dormidas que irão operar as transformações feitas pelo movimento”, escreve o autor.

Falar do tema hoje é chover no molhado, soa como platitude, pois tem-se como consensual que é durante o repouso que as fibras musculares se recompõem e se expandem, dando finalmente algum sentido à atividade física da vigília. Mas, tempos atrás, segundo Nuno, o tema gerava polêmica. Foi esse o “grande embate”, relata, com seus pares ao longo de três décadas, pelo menos até o fim dos anos 1980.

A imagem de Nuno como um bedel de Senna, fiscalizando as atividades noturnas do pupilo, a lembrar Lima Duarte no papel de um caricato técnico do Palmeiras no primeiro filme “Boleiros“, de Ugo Giorgetti, não é disparatada.

“Quando acabávamos os treinos, já dava o meu recado (…) Olha você treinou tão bem hoje… Se for dormir tarde, vai jogar fora todo o esforço que fez.”

Afinal, segue ele no livro, “o sono é capaz de curar. É capaz de colocar o organismo em absoluto equilíbrio”. Manter uma boa rotina de sono, como também explica o médico Drauzio Varella aqui, pode inclusive prevenir quadros de demência.

Até por questão de sobrevivência, é difícil que algum treinador diga a você com todas as letras que é melhor cabular o treino da manhã do que se privar de horas de sono reparador, mas como eu não possuo “Cref”, deixo aqui a temerária recomendação.

Se é para se privar de alguma coisa, prive-se dos fones de ouvido, o que vai beneficiar, em muito, sua capacidade de concentração e relaxamento, fazendo da corrida algo parecido a uma sessão de ioga. Duas maravilhas em uma.

Sessões de ioga, como se sabe, prescindem de música, podcasts e da vinheta renitente da CBN.

Se fones de ouvido são indispensáveis para conferir prazer ou mesmo algum sentido à corrida, talvez seja o caso de rever sua decisão de escolhê-la como principal atividade física.


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