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Ruy Castro está errado sobre título do Brasileiro de 1987 – 08/12/2025 – Esporte

Em coluna publicada no sábado (6), o jornalista Ruy Castro disse que o Flamengo se torno

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Em coluna publicada no sábado (6), o jornalista Ruy Castro disse que o Flamengo se tornou nove vezes campeão brasileiro depois da mais recente conquista do título nacional. Seria um eneacampeão, portanto.

“É um enea a ser gravado com orgulho na taça, antes que tentem de novo reduzi-lo a octo, alegando a decisão legaloide que atribuiu o título de 1987 a um expoente da 2ª divisão”, escreveu um dos mestres do jornalismo brasileiro.

Para o colunista, “o título de 1987, afrontando as instâncias esportivas, foi dado por um truculento ministro do STF” ao Sport. Em suma, uma decisão injusta.

Rubro-negro como Ruy, adoraria concordar com ele. Ruy, porém, está errado. Basta lembrar os principais episódios da confusa disputa daquele ano.

O imbróglio começou com o anúncio do então presidente da CBF, Octávio Pinto Guimarães, de que não iria organizar o Campeonato Brasileiro por falta de dinheiro. A partir daí, os times mais populares do país decidiram se unir em um grupo, o Clube dos 13, que incluía o Flamengo. Montaram uma competição com 16 equipes, batizada de Copa União.

Logo, porém, a CBF voltou atrás e resolveu intervir no campeonato. Em uma reunião da confederação com o Clube dos 13, definiu-se que a Copa União seria rebatizada de Módulo Verde e que os demais times se enfrentariam no Módulo Amarelo. Assim, duas competições aconteceram paralelamente.

Conforme acertado e documentado, os dois primeiros colocados do Verde, Flamengo e Internacional, deveriam jogar contra Sport e Guarani, líderes do Amarelo. Desse embate final, sairia o campeão brasileiro.

No entanto, as equipes do Rio de Janeiro e de Porto Alegre se recusaram a disputar essas partidas derradeiras com os vencedores do Amarelo. Com um grupo inesquecível (Zico, Bebeto, Renato Gaúcho, Andrade e cia.), o Flamengo era o melhor time de 1987, mas não seguiu o calendário de jogos até o fim. O título ficou com o clube de Recife.

Como detalham os jornalistas André Gallindo e Cassio Zirpoli no livro “1987 – De Fato, de Direito e de Cabeça” (ed. Cepe), um duelo na Justiça começou naquele ano e se estendeu por mais de três décadas, em geral com vitórias do Sport.

Em julho de 2024, um terceiro recurso extraordinário chegou ao STF. No mês seguinte, o ministro Flávio Dino negou seguimento ao agravo, reafirmando o título do clube pernambucano.

Espernear desse jeito, esquecendo que não cumpriu o que foi combinado, não condiz com a história de 130 anos do Flamengo.



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