A seleção iraniana de futebol poderá entrar nos Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo deste ano, mas o governo Trump negará a entrada a iranianos com ligações com as forças armadas do país, afirmou o secretário de Estado Marco Rubio na quinta-feira (23).
Os Estados Unidos são co-anfitriões da Copa do Mundo de 48 seleções este ano, junto com Canadá e México, com início em 11 de junho. A seleção iraniana se classificou para o torneio no ano passado, mas sua participação ficou em dúvida após os Estados Unidos e Israel iniciarem a guerra contra o Irã em fevereiro.
Durante um evento na Casa Branca na quinta-feira, Rubio e o presidente Donald Trump sugeriram que os jogadores de futebol iranianos que vierem aos Estados Unidos para o torneio serão bem-vindos.
“Nada vindo dos Estados Unidos disse a eles que não podem vir”, disse Rubio aos repórteres. “Se eles decidirem não vir por conta própria, é porque decidiram não vir.”
Mas Rubio disse que qualquer pessoa com vínculos com a Guarda Revolucionária do Irã não teria permissão para entrar.
“O que eles não podem trazer é um bando de terroristas do IRGC para o nosso país e fingir que são jornalistas e preparadores físicos”, disse ele, usando outra sigla para a organização paramilitar iraniana.
“Não queremos prejudicar os atletas”, acrescentou Trump rapidamente.
Autoridades americanas e iranianas têm emitido sinais contraditórios sobre a participação do Irã na Copa do Mundo.
Trump disse em março que não se importava se a seleção iraniana jogasse na Copa do Mundo. Mais tarde naquele mês, ele disse que, embora os jogadores do Irã fossem bem-vindos, não seria apropriado que viessem aos Estados Unidos “por sua própria vida e segurança”.
O ministro dos Esportes do Irã disse no mês passado que a seleção nacional não poderia aceitar participar da Copa do Mundo depois que o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataques americano-israelenses. Esta semana, um porta-voz do governo iraniano disse à mídia estatal que a seleção estava se preparando para jogar suas partidas da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, órgão máximo do futebol mundial, disse na semana passada que o Irã “virá com certeza” para a Copa do Mundo.
“Esperamos que até lá, é claro, a situação seja pacífica”, disse ele, falando em um evento da CNBC em Washington. “Como eu disse, isso definitivamente ajudaria. Mas o Irã tem que vir, é claro, eles representam seu povo. Eles se classificaram. Os jogadores querem jogar.”
Todas as três partidas do Irã na fase de grupos são nos Estados Unidos —duas em Los Angeles e a terceira em Seattle.
Trump e Rubio fizeram seus comentários sobre a Copa do Mundo depois que um repórter perguntou o que o presidente achava sobre a Itália substituir o Irã no torneio. O Financial Times havia reportado que Paolo Zampolli, um enviado especial dos EUA e amigo próximo do presidente, havia proposto a troca a Trump e Infantino.
“Não penso muito nisso”, disse Trump.
O ministro dos Esportes da Itália, Andrea Abodi, e alguns torcedores descartaram a ideia.

