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Esporte

Raphinha chia sem Bola de Ouro, mas argumento é infundado – 02/02/2026 – O Mundo É uma Bola

Em entrevista concedida no final de 2025 e disponibilizada ao público apenas no final de

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Em entrevista concedida no final de 2025 e disponibilizada ao público apenas no final de janeiro deste ano, o atacante Raphinha, do Barcelona e da seleção brasileira, afirmou que se sentiu “chateado” com o resultado da mais recente Bola de Ouro.

Na avaliação do jogador de 29 anos, que teve em 2024/2025 a melhor temporada de sua carreira (34 gols e 26 assistências em 57 partidas, em um total de quatro campeonatos), ele merecia mais que qualquer colega de profissão receber o prêmio de melhor do mundo da revista francesa France Football.

Foi coroado, na cerimônia realizada em setembro passado em votação de cem jornalistas especializados, o atacante francês Ousmane Dembélé, 28, do Paris Saint-Germain, que na temporada 24/25, em cinco competições, acumulou 35 gols e 16 assistências em 53 jogos.

Dembélé, contudo, ganhou com o PSG a Champions League, o principal interclubes da Europa (e do mundo), o que, de acordo com o brasileiro, fez toda a diferença.

“Eu sabia que a chance ganhar era muito difícil porque a Champions conta muito nesse prêmio”, disse Raphinha à jornalista Isabela Pagliari no canal do Sofascore no YouTube.

“Um prêmio individual”, prosseguiu ele, “não pode ser baseado em uma competição. Eu merecia ter ficado em primeiro por aquilo que eu entreguei na temporada, pelos títulos que eu conquistei, pelos números que eu alcancei, por tudo que eu entreguei dentro de campo. Eu merecia ter ganho.”

Na mencionada temporada, Raphinha ganhou com o Barça o Campeonato Espanhol, a Copa do Rei (equivalente à Copa do Brasil) e a Supercopa da Espanha. Dembélé, além da Champions, faturou com o PSG o Campeonato Francês, a Copa da França e a Supercopa da França.

Considerando que o nível de competitividade na Espanha é superior ao na França, o que pesou a favor de Dembélé foi mesmo chegar ao topo da Europa.

“Como é um prêmio que é baseado praticamente em uma só competição, é merecido o Dembélé ganhar”, concluiu o camisa 11 e capitão da equipe azul e grená, que acabou em quinto lugar na Bola de Ouro. Ficaram também à frente dele Lamine Yamal (2º, Barcelona), Vitinha (3º, PSG) e Mohamed Salah (4º, Liverpool).

Há, entretanto, um erro na ponderação de Raphinha. Eu até concordo que o que fez a diferença para Dembélé foi a conquista da Champions, mas ela não tem sido determinante para a escolha do vencedor.

Das últimas seis vezes em que a Bola de Ouro foi entregue, de 2019 para cá (em 2020, devido à pandemia de coronavírus, a premiação não aconteceu), apenas em duas ocasiões o ganhador tinha sido campeão da Champions: Dembélé, em 2025, e outro francês, Benzema (Real Madrid à época), em 2022.

Não bastou a Vinicius Junior, além de uma temporada fantástica, vencer a Champions League com o Real –inclusive fazendo gol na final– para levar a Bola de Ouro em 2024. O eleito foi o volante Rodri, do Manchester City, campeão da Eurocopa com a Espanha. Injustiça? Sim.

O Liverpool levou a Champions de 2019, e a Bola de Ouro ficou com Messi (Barcelona), que também ficou com o troféu em 2021 (no PSG), sendo que o campeão europeu foi o Chelsea, e em 2023 (no Inter Miami), tendo sido o Manchester City, de Haaland, o vencedor da Champions.

Assim, estar no time que triunfou na Liga dos Campeões para obter a Bola de Ouro não é determinante, ao menos não recentemente, o que torna a explicação de Raphinha infundada.

Faltou no caso dele para triunfar ter um lobby maior na imprensa votante, que é corporativista ao preferir atletas europeus (Rodri superou Vini Jr. assim), ou ser alguém que atrai votos só pelo nome (no caso, sobrenome) que tem. Faltou ser Messi.


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