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Esporte

O fim do banimento esportivo à Rússia está próximo – 06/02/2026 – Marina Izidro

Aqui na Itália, uma potência esportiva parece ter desaparecido do mapa: a Rússia. Os J

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Aqui na Itália, uma potência esportiva parece ter desaparecido do mapa: a Rússia. Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina começaram, mas quase ninguém fala sobre os atletas russos. Não vejo jornalistas do país, que provavelmente boicotaram o evento. É como se a história deles nunca tivesse existido.

Esses Jogos serão os sextos seguidos em que a Rússia está sob alguma forma de banimento. Primeiro, por causa do esquema sistemático de doping apoiado pelo governo e, depois, pela invasão da Ucrânia. Belarus, que apoia a Rússia na guerra, também foi suspensa.

Como as Olimpíadas de Inverno de Pequim-2022 foram pouco antes do início do conflito, eles ainda podiam competir usando o branco, azul e vermelho de sua bandeira. Com 200 atletas na delegação, conquistaram 32 medalhas, sendo cinco de ouro, terminando em segundo lugar geral, só atrás da potência Noruega.

As regras ficaram mais rígidas. Assim como em Paris-2024, o comitê nacional segue suspenso, Rússia e Belarus não podem disputar esportes coletivos e atletas passaram por processo seletivo rigoroso. Não podem ter ligação com as Forças Armadas ou apoiar a guerra.

Em Milão-Cortina, serão coadjuvantes. O poderoso time de hóquei no gelo está vetado. Alexander Bolshunov, tricampeão olímpico no esqui cross-country, que é do exército e participou de manifestação pró-guerra organizada por Vladimir Putin, nem passaria no corte.


Vinte atletas se classificaram –13 da Rússia e sete de Belarus. A bandeira que os representa é verde, com o acrônimo AIN, “atletas individuais neutros” em francês. Como grandes estrelas russas não estão aqui, devem terminar bem abaixo no quadro de medalhas.

No futebol, a seleção nacional e clubes russos também estão suspensos de competições da Fifa e da Uefa desde fevereiro de 2022. Mas isso pode estar perto do fim.

Nesta semana, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que a punição não atingiu nada e criou mais frustração e ódio. Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), não citou o nome da Rússia, mas afirmou que o esporte tem que se manter em campo neutro, onde atletas possam competir livremente, sem interferência de política ou divisões de seus governos.


Os países da União Europeia e o Reino Unido estão desesperados pelo fim da Guerra da Ucrânia. Sabem que a Rússia é uma ameaça à Europa e têm trabalhado intensamente por um acordo de paz junto com os Estados Unidos. Neste momento, não parecem dispostos a aceitar o fim do banimento à Rússia.

A grande pergunta no mundo do esporte, quando a guerra acabar, será: e agora, o que fazer? Haverá reações acaloradas de todos os lados. Fato é que, sem guerra, fica difícil sustentar a punição. Ou é para todos, ou para ninguém.

Só não espere que a tenista ucraniana Elina Svitolina passe a apertar a mão da belarussa Aryna Sabalenka depois de uma partida, por exemplo. Ou que ucranianos aceitem competir contra russos.

Organizações esportivas terão que se preparar para situações como essas. A relação entre os atletas está fraturada nesta e em futuras gerações.

A colunista está em Milão como repórter da organização responsável pela transmissão oficial dos Jogos Olímpicos


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