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Medalha de Lucas Pinheiro nas Olimpíadas é 100% brasileira – 14/02/2026 – Esporte

O Brasil tinha conquistado, até este sábado (14), 170 medalhas olímpicas na história,

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O Brasil tinha conquistado, até este sábado (14), 170 medalhas olímpicas na história, todas nos Jogos de Verão. A 171ª veio incrivelmente no esqui alpino, com Lucas Pinheiro Braathen. O feito histórico para o país nos Jogos de Inverno foi celebrado em pleno Carnaval, repetindo o combo de alegrias do Oscar de “Ainda Estou Aqui” no ano passado.

Houve, porém, quem torcesse o nariz. Reclamações sobre atletas que deixam de subir ao pódio são frequentes, mas problematizar uma conquista olímpica talvez seja algo inédito nestas bandas.

O “problema” da conquista de Lucas estaria no fato de ele não ter nascido e crescido no Brasil, mas na Noruega, o que para alguns faria dele menos brasileiro ou, ainda pior, um “atleta comprado”. Premissa errada. O esquiador é filho de mãe brasileira e atende os critérios de brasileiro nato estipulados na Constituição Federal. Além disso, ele cumpriu os requisitos para a troca de nacionalidade esportiva em 2024.

Troca essa que, importante ressaltar, não foi determinada por questões técnicas ou medo de concorrência. Mesmo tendo nascido numa das pátrias do esqui, Lucas estava entre os melhores atletas do país europeu, que representou nos Jogos de Pequim-2022. Quando anunciou uma aposentadoria precoce, em 2023, ele tinha acabado de ser campeão do circuito internacional de esqui alpino. As desavenças com a federação norueguesa eram principalmente comerciais, por causa dos critérios bem mais restritos adotados por lá para exibir seus patrocinadores pessoais.

Foi a deixa para o Comitê Olímpico do Brasil e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve agirem, abrindo as portas para Lucas competir, lucrar e se expressar nos seus termos. A aposentadoria ficou para trás, num cenário de ganha-ganha para todos, menos para o país que domina os Jogos de Inverno.

Trocas de nacionalidade esportiva podem gerar polêmica, mas não convém determinar quanto existe de cada país numa conquista olímpica. Há atletas brasileiros que treinam e vivem no exterior há muitos anos, ou que são treinados por estrangeiros. Suas conquistas não são menos brasileiras por isso.

Os próprios Jogos de Inverno são ricos em nuances. Na delegação verde-amarela, existem atletas nascidos no país com trajetórias para serem aplaudidas. Por exemplo, Nicole Silveira, que mais uma vez entregou boa performance no skeleton; e Edson Bindilatti, veterano do bobsled. Também há situações de representantes do país, nascidos aqui ou fora, que de fato possuem pouca conexão afetiva ou cultural com o Brasil.

Esse não é o caso de Lucas, que sempre demonstrou orgulho do país que recentemente o abraçou. Se motivos comerciais foram determinantes para a troca de bandeira, o que o esquiador já fez —e ainda pode fazer— como um ídolo do esporte brasileiro deve vir em primeiro lugar.

O reconhecimento mais genuíno da brasilidade do esquiador talvez tenha vindo da própria organização dos Jogos, que tocou o “Tema da Vitória” (aquele popularizado nas corridas de Ayrton Senna) no sistema de som na pista de Bormio para celebrar a conquista dele.

Ver parte do Brasil parando momentaneamente os festejos do Carnaval para vibrar com esqui alpino foi uma grande novidade. Discussões sobre esporte e nacionalidade também não são tão comuns por aqui quanto em outras regiões. Mas o mundo é global, e casos de dupla nacionalidade não deveriam assustar. O sueco-americano Armand Duplantis, um dos maiores atletas do mundo, também escolheu defender o país de sua mãe.

Contestações do tipo costumam ter raízes xenófobas e virar argumento preconceituoso para derrotas. Que o digam jogadores de futebol de origem africana que defendem seleções europeias. Outro caso clássico é o do ex-tenista Andy Murray, que gerou a “piada” sobre ser representado pela mídia como britânico quando ganhava e como escocês quando perdia.

Lucas é brasileiro ao conquistar uma medalha inédita para o país. Também será brasileiro caso não repita o feito na prova desta segunda-feira (16). Celebremos.



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