quinta-feira 9, abril, 2026 - 14:30

Brasília

Mapa do autismo no Brasil: diagnóstico tardio e desemprego preocupam

Dois milhões e 400 mil pessoas têm algum transtorno do espectro autista no país. Isso

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Dois milhões e 400 mil pessoas têm algum transtorno do espectro autista no país. Isso é mais de 1% da nossa população. Os dados são do último Censo. Mas quem são essas pessoas? Bom… a maioria é homem, branco e menor de 17 anos. Faixa etária, inclusive, em que ocorre a maior parte dos diagnósticos. É o que mostra o Mapa Autismo Brasil, divulgado nesta quinta-feira (9).

O material deverá ser usado para ajudar na elaboração de políticas públicas e campanhas de esclarecimento. E também na investigação do transtorno. A ideia é: quanto antes ficar sabendo, melhor. É o caso da professora de geografia Vanessa Tirelli. Aos 36 anos, ela descobriu o transtorno tarde, só aos 32. Até lá, segundo ela, foi muito sofrimento e dúvidas.

“Passei a vida inteira me sentindo muito diferente. Eu não conseguia fazer vínculo com amigo na escola, eu não conseguia apresentar trabalho, eu entrava em pânico. E eu não entendia por quê. Porque eu gostava de conversar, gostava de falar, mas eu não conseguia. Eu me sentia como um peixe fora da água.”

A pesquisa traz outros dados. Por exemplo, que o acesso a terapias pelo SUS hoje ainda é baixo, apenas 15%. A maior parte das pessoas usa mesmo o plano de saúde ou a rede particular. O mercado de trabalho é outro ponto de atenção. Quase 30% dos entrevistados estão desempregados ou sem renda.

Mesmo assim, a diretora do Instituto Autismo Brasil, Ana Carolina Steinkopf, explica que o diagnóstico cedo é a principal demanda. Porque é a partir dele que tudo começa.

“Porque hoje, quando um adulto vai ter um diagnóstico, as pessoas duvidam. E tem muitos relatos de pessoas que sofreram a vida inteira. E quando recebem um diagnóstico de autismo, elas têm a clareza e conseguem entender quem elas são e escolher qual é o melhor acompanhamento terapêutico, qual é a melhor forma delas se relacionarem.”

É justamente o que aconteceu com a Vanessa lá do início da reportagem, que desabafou: 

“Depois que eu recebi o meu diagnóstico, eu passei a me entender e respeitar a minha história, né? Eu parei de ter aquele pensamento de que eu era esquisita, de que eu não conseguia fazer amigos, de que eu não conseguia concluir um curso inteiro sem precisar fazer pausas, e passei a respeitar isso, o que me trouxe muito mais qualidade de vida.”

Para fazer o Mapa do Autismo no Brasil, foram ouvidas 23.632 pessoas de todos os estados do país entre os dias 29 de março e 20 de julho de 2025. O questionário online foi respondido de forma voluntária por autistas ou responsáveis.



Fonte GDF

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