Enquanto os governos federal e estaduais buscam alternativas para amenizar, no Brasil, os impactos da guerra que Estados Unidos e Israel travaram contra o Irã, o presidente Lula voltou a afirmar, nesta quinta-feira, que “em hipótese nenhuma”, o povo vai pagar o preço de um conflito que ele classificou como “irresponsável”
“Agora a guerra continua, porque o Trump disse que ia acabar em um dia e ela não vai acabar nem em um dia, nem sei que vai acabar em quanto tempo. Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo do caminhoneiro. O povo pobre não pagará em hipótese alguma o preço dessa guerra. Que esse Trump que pague, o Netanyahu de Israel que pague, mas o povo brasileiro não vai pagar.”
De passagem por Salvador, na Bahia, o presidente deu a declaração à TV Record do estado.
Lula se referiu à isenção dos impostos federais na importação do óleo Diesel, para tentar conter a alta no preço do produto.
Também voltou a defender a importância de distribuidoras estatais de petróleo como forma de ajudar a controlar os preços no mercado interno.
“Nós temos muito interesse, estamos estudando já algum tempo a necessidade de recomprar a refinaria da Bahia para a Petrobras. Não é justo o que fizeram, a refinaria produz menos da metade daquilo que ela deveria produzir e nós precisamos da refinaria produzindo muito mais. Nós produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste.”
Ao falar sobre os desafios de lidar com o avanço do crime organizado, o presidente Lula defendeu a aprovação da chamada PEC da segurança pública, no Congresso, para que o governo crie o ministério sobre o assunto e consiga mais participação na “guerra contra o crime organizado”.
“Essa PEC, ela vai permitir que a gente tome uma decisão muito importante, que é criar o Ministério da Segurança Pública e definir uma nova ação do governo federal na questão da segurança pública. Mas a gente não pode esperar pela aprovação da lei das facções. Nós estamos numa guerra contra o crime organizado. Nós já apreendemos 250 milhões de litros de combustível que está na mão do crime organizado. O que nós queremos na verdade é chegar no andar de cima da corrupção, que não mora na favela, que mora nos prédios mais chiques da cidade de Salvador, do Rio de Janeiro, de São Paulo.”
A PEC da Segurança Pública foi enviada pelo governo ao congresso, há um ano.
A ideia é que as atribuições de União, estados e municípios sejam reorganizadas, e que as instituições federais de segurança tenham mais atuação no combate ao crime, no país.
Durante a entrevista, Lula disse que a intenção é fazer com que o governo deixe de fazer “o papel de apenas repassar dinheiro”.

