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Isolamento da Rússia no esporte chegará ao fim na Itália – 18/02/2026 – Esporte

Considerada pária no esporte mundial por mais de uma década, a Rússia será representa

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Considerada pária no esporte mundial por mais de uma década, a Rússia será representada por uma pequena equipe de atletas nos Jogos Paralímpicos de 2026, na Itália, no próximo mês, confirmaram os organizadores, o que provocou condenação de líderes europeus nesta quarta-feira.

A decisão surge na sequência de uma crescente aceitação entre dirigentes esportivos de que a suspensão olímpica da Rússia, que já dura anos, deve terminar e poderá abrir caminho para que uma equipe russa compita nos Jogos Olímpicos de Verão de Los Angeles, em 2028.

Nos Jogos Paralímpicos, que acontecerão após o término dos Jogos Olímpicos de Inverno no domingo, a bandeira e o hino russos poderão ser exibidos pela primeira vez desde 2014, depois que a revelação de um amplo esquema de doping sancionado pelo Estado nos Jogos de Inverno levou federações esportivas internacionais a impor suspensões a atletas russos.

Essas sanções se intensificaram à medida que a Rússia tentou encobrir a dimensão das fraudes e, em seguida, em 2022, lançou sua invasão à vizinha Ucrânia.

O Comitê Paralímpico Internacional anunciou na terça-feira que a Rússia e seu aliado Belarus, que apoiou a invasão da Ucrânia, estarão representados por atletas nas provas de esqui. Seis atletas da Rússia e quatro de Belarus poderão competir, segundo o comitê, decisão que gerou duras críticas da Ucrânia e de seus aliados europeus.

“Enquanto a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia continuar, não posso apoiar o restabelecimento de símbolos nacionais, bandeiras, hinos e uniformes que são indissociáveis desse conflito”, disse Glenn Micallef, representante da Comissão Europeia para o Esporte, em publicação nas redes sociais, acrescentando que não compareceria à cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos em sinal de protesto.

A ministra dos Esportes britânica, Lisa Nandy, afirmou que permitir que atletas “compitam sob suas próprias bandeiras enquanto a brutal invasão da Ucrânia continua envia uma mensagem terrível”.

O ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, classificou a decisão como “ultrajante” e afirmou que as autoridades ucranianas não viajariam para os Jogos Paralímpicos nem participariam de eventos oficiais no local.

A guerra na Ucrânia já se tornou um ponto de tensão nos Jogos de Inverno na Itália, onde a Rússia não está oficialmente representada, embora 13 atletas russos tenham sido liberados para competir sob o status de “neutros”.

Na semana passada, um atleta ucraniano do skeleton foi desclassificado por planejar competir usando um capacete em homenagem a compatriotas mortos na guerra. O Comitê Olímpico Internacional afirmou que isso violava sua proibição de manifestações políticas durante as competições.

A decisão de permitir a participação de atletas russos nos Jogos Paralímpicos foi uma surpresa. Os mais de 200 membros do Comitê Paralímpico Internacional votaram no ano passado pelo fim da proibição da participação russa, mas o presidente do comitê, Andrew Parsons, havia sugerido neste mês que era tarde demais para os atletas russos se classificarem para a competição. O torneio de hóquei, por exemplo, já havia definido os países participantes.

As decisões sobre quais atletas podem participar, porém, geralmente ficam a cargo das federações que regem cada modalidade, o que deu aos dirigentes esportivos russos uma oportunidade.

Em dezembro, a Rússia contestou com sucesso uma proibição imposta pela federação de esqui no mais alto tribunal para disputas esportivas, na Suíça, e solicitou o equivalente a vagas de “wild card” para seus atletas. Essas vagas, normalmente reservadas a atletas de elite que não conseguiram a classificação por circunstâncias imprevistas, como lesões ou gravidez, ficam a critério das federações e do órgão regulador paralímpico. A federação de esqui solicitou então dez dessas vagas para competidores russos e bielorrussos.

A votação para reintegrar a Rússia aos Jogos Paralímpicos ocorreu após alguns membros do IPC argumentarem que as condições que levaram à proibição original haviam mudado. A proibição resultou de evidências de que a Rússia estava usando sua participação em eventos internacionais para promover a guerra na Ucrânia, inclusive com atletas exibindo símbolos da invasão, como a letra Z, em uniformes e equipamentos.

Algumas federações esportivas, incluindo as de curling e biatlo, mantêm a proibição da participação da Rússia. Mas as posições entre dirigentes esportivos parecem ter se suavizado. Kirsty Coventry, presidente do COI, afirmou neste mês que o esporte deve ser um “terreno neutro”, separado da política. Anteriormente, o presidente da Fifa, entidade máxima do futebol mundial, disse que gostaria de ver a Rússia retornar às competições internacionais da modalidade.

O primeiro sinal do retorno da Rússia pode surgir na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos em Verona, Itália, no dia 6 de março. Cada nação participante tem o direito de levar dois atletas e dois dirigentes para o desfile das nações, um momento de grande simbolismo nacional no cenário global. A Rússia ainda não confirmou sua presença, disse um porta-voz do IPC nesta quarta-feira.

O Comitê Olímpico Russo permanece banido dos Jogos Olímpicos devido à decisão tomada em 2023 de absorver instituições esportivas em diversas regiões ucranianas ocupadas. Autoridades russas afirmam que, desde então, reorganizaram a forma de administrar o esporte e agora estão em conformidade com as regras olímpicas.

O ministro dos Esportes da Rússia, Mikhail V. Degtyarev, disse que espera que o conselho executivo do COI decida em abril ou maio se suspenderá a proibição.

“Se o COI não colocar nosso caso em discussão, é claro que iremos à Justiça”, disse Degtyarev, segundo o Championat, site russo de esportes.



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