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Grandes premiações do cinema desconsideram o futebol – 18/01/2026 – O Mundo É uma Bola

O momento do cinema brasileiro impressiona. No ano passado, o filme “Ainda Estou Aq

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O momento do cinema brasileiro impressiona.

No ano passado, o filme “Ainda Estou Aqui“, dirigido por Walter Salles, ganhou o Oscar de melhor filme internacional, um feito inédito para o país, e Fernanda Torres faturou o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático.

Neste ano, os olhares se direcionam a “O Agente Secreto“. Com direção de Kleber Mendonça Filho, no Globo de Ouro o longa foi escolhido melhor filme estrangeiro, e Wagner Moura recebeu a estatueta na categoria “melhor ator em filme dramático”.

É de se notar que, em comum, as duas obras são ambientadas no período da ditadura no Brasil (1964-1985), possuem o regime militar como pano de fundo.

De alguma forma, o tema (que é de extrema importância histórica) tornou-se atrativo para os acadêmicos do cinema, em especial para quem faz indicações a grandes premiações da indústria do setor e para quem vota e define os vencedores.

Acrescente-se um enredo de qualidade e atuações consistentes, em especial do(a) protagonista, aliado a marketing e divulgação eficazes, chega-se a uma fórmula de sucesso.

Nesse contexto de celebração do nosso cinema, questionei-me acerca de filmes que têm o futebol, a “paixão nacional”, como temática. Algum ganhou alguma láurea de primeira linha?

Não. Nunca. Nem concorrer concorreu.

Talvez o ponto máximo atingido por um filme brasileiro de futebol em termos de reconhecimento internacional tenha sido a exibição de “Garrincha, Alegria do Povo” (1962), no Festival de Berlim (Berlinare), em 1963, um dos principais do mundo e que oferta o Urso de Ouro e o Urso de Prata.

Em texto nesta Folha 15 anos atrás, o crítico Inácio Araujo escreveu que o filme do cineasta Joaquim Pedro de Andrade “é o melhor documentário (talvez o melhor filme) sobre futebol feito no Brasil (talvez no mundo)”.

“Alegria do Povo”, estereotipado lá fora, traduzido que foi para “Hero of the Jungle” (Herói da Selva), é considerado um marco do Cinema Novo e uma obra-prima do cinema nacional –não por mim, que não me satisfiz, o que mostra o pouco que entendo do riscado.

O Brasil produziu outros filmes marcantes de/com futebol, documentário ou ficção, entre os quais podem ser elencados “Asa Branca” (1981), “Boleiros” (1998), o qual vi e recomendo, “Pelé Eterno” (2004), “Ginga” (2005) e “Campo de Jogo” (2015), recheados de paixão popular, estética elevada e cultura futebolística, só que sem as exigências que a academia apregoa para os superprêmios.

Faltam-lhes um ou mais ingredientes entre os tidos como essenciais: arco dramático forte (trajetória física e emocional de um personagem), conflito, transformação (crescimento ou decadência), clímax e desfecho.

Tão enraizado no cotidiano do brasileiro, o futebol se torna um desafio para os cineastas da velha e da nova geração.

Alguém um dia conseguirá conceber uma narrativa genial que toque a crítica internacional a ponto de conquistarmos uma estatueta procedente do ludopédio?

Dificílimo e improvável, até porque não é só no Brasil que os filmes de futebol não chegam à glória inconteste na indústria cinematográfica.

No topo do topo, ganhadores de Oscar de melhor filme, com elo com o esporte só os lendários “Rocky” (1977, boxe) e “Carruagens de Fogo” (1982, Jogos Olímpicos/atletismo), mais “Menina de Ouro” (2005, boxe).

Todos dramas humanos, dois ficcionais, um baseado em fatos reais (“Carruagens de Fogo”). Todos filmaços. Todos sem uma única bola de futebol.


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