O trabalho formal, com carteira assinada, é a modalidade de emprego preferida dos brasileiros que estão em busca de uma vaga, de acordo com pesquisa da CNI, a Confederação Nacional da Indústria, divulgada nesta sexta-feira (10).
O estudo mostra que mais de um terço das pessoas que estavam ocupadas e buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa apontaram o emprego formal, regido pela CLT, como a oportunidade mais atrativa. Essa preferência é maior entre os grupos de jovens de 16 a 24 anos e de adultos de 25 a 34 anos.
Em segundo lugar ficou o trabalho autônomo, aquele em que a pessoa trabalha por conta própria, sem vínculo empregatício. E a terceira opção mais atrativa foi o emprego informal, seguida pelo trabalho autônomo por meio de plataformas digitais, pela abertura do próprio negócio e pelo contrato como pessoa jurídica.
A advogada Edna Aparecido está entre os que preferem o trabalho com carteira assinada.
“É a única forma da gente conseguir alguns direitos. A gente não tem ainda a consciência de recolher os nossos direitos. Não dá pra dizer que a gente tem uma estrutura no Brasil para sermos donos de nós mesmos, autônomos. Então ainda é preciso que seja CLT, sim”.
Cláudia Perdigão, especialista em políticas e indústria da CNI, destaca a preferência do brasileiro pela CLT.
“Tivemos, aproximadamente, 36% das pessoas relatando interesse por oportunidades de emprego formal. O trabalhador ainda pensa na estabilidade e nessas condições vinculadas ao emprego formal, ao emprego CLT, justamente porque ele traz estabilidade, traz proteção social. O trabalhador brasileiro ele ainda tem uma visão muito benéfica desse modelo tradicional de emprego”.
A especialista também fala sobre a atratividade dessa forma de emprego para os mais jovens.
“Isso deve estar vinculado a essa necessidade de estabilidade desses jovens, principalmente no momento de iniciação de carreira, em que essa pessoa ainda está construindo currículo, essa carreira profissional, e o vínculo formal, o emprego formal, ele traz uma segurança maior para esse trabalhador”.
O levantamento também aponta que 20% dos entrevistados se frustraram, pois não encontraram oportunidades atrativas, indicando dificuldade em achar vagas alinhadas às próprias expectativas.
Além disso, um em cada dez brasileiros entrevistados classificou como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo. Para a maioria, no entanto, esse tipo de trabalho é visto apenas como fonte de renda complementar.
Ainda segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos.
A contratação de profissionais como pessoa jurídica, para evitar o vínculo empregatício e os encargos trabalhistas e previdenciários, é considerada ilegal pela Justiça do Trabalho, pois gera perda de direitos para os trabalhadores e compromete a Previdência Social.
*Com produção de Dayana Victor

