quarta-feira 25, março, 2026 - 19:54

Saúde

entenda a relação do medicamento com a halitose

O uso de medicamentos para emagrecimento à base de semaglutida, como o Ozempic, tem acen

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O uso de medicamentos para emagrecimento à base de semaglutida, como o Ozempic, tem acendido um alerta entre profissionais de saúde não apenas pelos efeitos metabólicos, mas também pelos impactos na saúde bucal. Em 2025, o uso das “canetas emagrecedoras” cresceu 88% em relação ao ano anterior, conforme o Conselho Federal de Farmácia.

Com isso, houve uma ampliação na percepção de sintomas até então pouco discutidos, como o mau hálito. Popularizado nas redes sociais como “bafo de Ozempic“, o problema tem sido associado a uma combinação de alterações digestivas, mudanças no metabolismo e redução da produção de saliva.

Alterações no organismo favorecem o mau hálito

De acordo com a cirurgiã-dentista e especialista em halitose Bruna Conde, o mau hálito observado nesses casos não é causado diretamente pelo medicamento, mas pelas transformações que ele provoca no organismo.

“Esses medicamentos reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico. Com isso, o paciente tende a comer menos e a ficar mais tempo em jejum, o que impacta diretamente a produção de saliva e favorece o mau hálito”, explica.

Produção de substâncias com mau odor

Com a diminuição da ingestão de alimentos, especialmente carboidratos, o corpo passa a utilizar gordura como principal fonte de energia, levando à produção de corpos cetônicos. Essas substâncias são eliminadas também pela respiração e podem conferir ao hálito um odor característico, muitas vezes descrito como adocicado ou metálico.

“Esse tipo de hálito não está necessariamente ligado à falta de higiene bucal, mas a um processo metabólico. Ainda assim, ele pode ser intensificado quando há acúmulo de saburra lingual ou baixa salivação”, acrescenta a especialista.

A diminuição na produção de saliva pode favorecer o mau hálito durante o uso do medicamento (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)
A diminuição na produção de saliva pode favorecer o mau hálito durante o uso do medicamento (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)

Redução da saliva contribui para o mau hálito

Outro fator relevante é a redução do fluxo salivar. A saliva exerce papel fundamental na manutenção da saúde bucal, ajudando a controlar a proliferação de bactérias e a neutralizar compostos responsáveis pelo mau cheiro. Com a redução da alimentação e, em alguns casos, da ingestão de líquidos, há uma diminuição na produção salivar, criando um ambiente mais propício para o desenvolvimento da halitose.

Além disso, o próprio mecanismo de ação desses medicamentos, que inclui o retardo do esvaziamento gástrico, pode favorecer sintomas digestivos como refluxo e sensação de estufamento, que também podem influenciar negativamente o hálito. No entanto, mesmo quando há queixas gástricas, especialistas ressaltam que, na maioria dos casos, o mau hálito está associado também a fatores bucais, como saburra lingual e alterações na saliva.

Com o aumento expressivo do uso desses medicamentos, muitas vezes sem acompanhamento multidisciplinar, efeitos como esse passaram a ser mais frequentemente relatados.

Como evitar o mau hálito durante o tratamento

Embora o chamado “bafo de Ozempic” possa ser transitório, o mau hálito persistente deve ser investigado por um dentista especialista em halitose. Hoje, já existem aparelhos capazes de medir, em tempo real, os compostos responsáveis pelo odor do hálito, auxiliando no diagnóstico mais preciso e no direcionamento do tratamento adequado.

A recomendação é que, antes mesmo de iniciar o uso da medicação, o paciente procure avaliação com um profissional especializado para verificar a presença de fatores como saburra lingual, alterações no fluxo salivar e outras condições bucais. Estar com a saúde bucal equilibrada pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento ou agravamento do mau hálito durante o tratamento.

Além disso, manter acompanhamento médico e odontológico, boa hidratação, evitar longos períodos de jejum e reforçar a higiene bucal, incluindo a limpeza da língua, são medidas essenciais para o controle do problema.

Por Fabiana Braga





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