Último tenista da América Latina a vencer um torneio de Grand Slam, o ex-jogador argentino Juan Martín del Potro destaca o “potencial” da promessa brasileira João Fonseca, mas pede “tempo” para ele.
Um latino-americano pode voltar a vencer um dos quatro grandes torneios do circuito? Em entrevista à AFP em São Paulo, o campeão do US Open 2009 analisa o panorama em tempos de hegemonia do espanhol Carlos Alcaraz e do italiano Jannik Sinner.
Aposentado em 2022, Del Potro participou no fim de semana de jogos de exibição com outros ex-tenistas lembrados com carinho: seu compatriota Diego Schwartzman, o americano Andy Roddick e o brasileiro Fernando Meligeni, como prévia do Challenger Latin America Open.
Já se passaram quase 17 anos desde sua vitória no US Open. Há jogadores latino-americanos com projeção para acabar com a espera?
Ganhar um Grand Slam não é fácil. Poucos de nós conseguimos isso na era do Big Three (Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic), e agora acho que poucos conseguirão derrotar Sinner e Alcaraz. Eles ganharam os últimos nove Grand Slams e estão claramente à frente dos demais.
Tomara que um latino consiga. Já se passaram muitos anos. Há bons jogadores argentinos e tem o João Fonseca, que precisa de tempo e maturidade.
Até eu vencer o Federer pela primeira vez (na final do US Open), perdi seis vezes para ele. Com Nadal e Djokovic, a mesma coisa. É um processo. Você tem que enfrentá-los e perder uma, duas, três vezes e aos poucos vai conhecendo o jogo deles e ganha confiança.
Você mencionou Fonseca. Quais latino-americanos você mais gosta?
Fonseca é muito jovem. Tem muito potencial. Tem golpes muito bons, e o tênis atual é de muita potência e, então, ele tem essa vantagem. (Francisco) Cerúndolo está há muitos anos no circuito e está chegando cada vez mais perto do topo.
Olhando para trás, o que significou para você aquela vitória em Flushing Meadows?
Tive a sorte de realizar um sonho de criança e vencer o Federer na final. Ele vinha de ganhar o torneio cinco anos consecutivos. Todo mundo esperava o sexto e cheguei eu, com 20 anos, para quebrar essa sequência. Mudou minha carreira, minha vida.
Sem Federer, Nadal e Djokovic, teria mais algum título de Grand Slam?
É difícil dizer, porque havia (Andy) Murray, (Stan) Wawrinka, Tomas Berdych e tantos outros como eu, e às vezes dizíamos: ‘Nossa, é incrível jogar nesta era, temos os três melhores jogadores da história.’ Ao mesmo tempo, também era ótimo enfrentá-los, competir em grandes torneios e tentar derrotá-los. Era um desafio extra.
Lembrança olímpica
Você está visitando o Brasil, onde conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, depois do bronze em Londres, em 2012. Como foi sua experiência nesse evento?
Cada oportunidade de estar no Brasil é muito linda. Foi muito intenso, peguei Djokovic (na estreia), Nadal (nas semifinais) e Murray na final. Só faltou o Federer. Conquistar uma medalha olímpica, não importa se é bronze, prata ou ouro, vale muito e sou um privilegiado por ter duas.
Voltando ao presente: o Masters 1000 da Arábia Saudita, com início previsto para 2028, pode comprometer o futuro dos torneios tradicionais na América do Sul. Como você vê a situação?
Sei o que vi nas notícias; não sei todos os detalhes do que está acontecendo, mas a América do Sul tem uma história maravilhosa com o tênis. Todos os jogadores dizem que os fãs sul-americanos são os melhores, então espero que respeitem isso.

