A ONG Anistia Internacional alertou sobre os “graves riscos” para as populações e torcedores durante a Copa do Mundo de 2026, especialmente nos Estados Unidos, onde vê o “cenário de uma crise de direitos humanos”.
“No mandato do presidente Donald Trump, os Estados Unidos, onde acontecerão três quartos dos jogos da Copa do Mundo, são o cenário de uma crise de direitos humanos”, destacou a Anistia em um comunicado, que acompanha o relatório “A Humanidade deve triunfar” e que foi divulgado nesta segunda-feira (30).
Essa “crise” está “marcada por políticas de imigração discriminatórias, detenções em massa e prisões arbitrárias por agentes mascarados e armados do Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE), do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e outras agências”, acusou a Anistia.
“Apesar do número impressionante de detenções e deportações, nem a Fifa nem as autoridades (americanas) deram garantias aos torcedores e às populações locais de que serão protegidos da triagem por perfis étnicos e raciais, de batidas indiscriminadas e de detenções e deportações ilegais”, afirmou Steve Cockburn, diretor do programa Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional.
A Copa do Mundo de 2026, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, terá um total de 104 jogos, sendo 78 deles em território americano.
Países como Irã —cuja participação está em séria dúvida por causa da situação de guerra—, Senegal ou Costa do Marfim poderiam ver a presença de seus torcedores impedida pelas proibições de viagens impostas pelo governo Trump, que fez da política migratória um dos emblemas de sua segunda passagem pela Casa Branca.
Outros torcedores de futebol estão expostos a uma “vigilância intrusiva” de suas redes sociais para uma “busca de conteúdos antiamericanos”, estimou a ONG.
Além disso, “membros de grupos LGBTQI+ no Reino Unido e na Europa declararam que seria perigoso que sua presença fosse visível durante o torneio”, garante esta organização pró-direitos humanos, que também demonstra preocupação com restrições ao direito de manifestação e de liberdade de expressão no México e no Canadá.
“A apenas dez semanas do início da Copa do Mundo, o compromisso da Fifa de organizar um torneio no qual todo mundo se sinta ‘seguro, incluído e livre para exercer seus direitos’ requer uma ação urgente para evitar que esta bela competição não termine com um mau resultado”, sustentou a Anistia.

