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Esporte

CBF renovar já com Ancelotti é apressado e arriscado – 12/02/2026 – O Mundo É uma Bola

A CBF, na figura de seu presidente, Samir Xaud, quer –já expressou o desejo abertament

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A CBF, na figura de seu presidente, Samir Xaud, quer –já expressou o desejo abertamente. O treinador, o italiano Carlo Ancelotti, quer –não expressou o desejo abertamente, porém deu declarações que permitem uma conclusão crível.

É questão de (pouco) tempo para que seja anunciada a extensão até 2030 do contrato de Carletto (por aqui, tenta-se emplacar Carlinhos) com a seleção brasileira.

Analisando friamente, trata-se de um despautério, uma decisão despropositada da confederação que controla o futebol no Brasil.

Para que renovar já, antes de avaliar o desempenho na Copa do Mundo, que é o que de fato interessa? Sabemos que se o Brasil, que não está muito bem, não for muito bem na deste ano, que começa em junho –e ir muito bem significa no mínimo chegar às semifinais–, a existência de um contrato até a Copa seguinte será na prática uma inexistência.

Por mais que Ancelotti tenha fama, currículo de dar inveja, comportamento de gentleman e vontade de permanecer (o Rio tem muitos encantos), o que mantém ou não treinador no cargo, seja em seleção ou clube, é o resultado. Ganhou, tem chance de ficar. Não ganhou, só fica se a imagem não estiver arranhada –com uma Copa ruim, estará.

Apenas um técnico que não triunfou com o Brasil em uma Copa teve crédito suficiente para prosseguir no cargo: Tite, derrotado em 2018 e posteriormente em 2022, as duas vezes nas quartas de final, em partidas nas quais a seleção brasileira criou bem mais que os adversários.

Apesar de não ter triunfado, o atual técnico do Cruzeiro fez a seleção render como nunca, com 74% de vitórias (60 em 81 jogos), índice excepcional. Ancelotti, em oito jogos até agora, ganhou quatro (50%).

Ao apostar na continuidade de Carletto já, a historicamente caótica CBF, que vai vender um discurso de planejamento e organização ao anunciar a renovação, arrisca-se sem necessidade.

Contratos costumam ter cláusulas de rescisão de lado a lado, e se a confederação decidir livrar-se de Ancelotti –será pressionada a fazê-lo se o Brasil decepcionar na Copa– terá de pagar uma fortuna. A espera pelo fim do Mundial para a renovação evitaria esse cenário.

Foi mal? Contrato encerrado, “ciao”. Foi bem? Sentam-se as partes à mesa e conversam. Ancelotti campeão, seu valor de mercado dispara? Sim. Pedirá reajuste salarial maior do que agora? Sim. Mas é um risco que vale correr. Sejamos realistas: o Brasil não é favoritaço.

Ademais, caso a taça venha, o italiano se tornará um “herói brasileiro”. O ambiente para negociação será amplamente favorável para uma renovação, com as ruas gritando “Carlinhos, Carlinhos” (adeus ao Carletto, será Carlinhos para sempre). A não ser que seja extremamente ganancioso, Ancelotti chegará a bom termo com a CBF.

Ele ganha atualmente cerca de R$ 5 milhões por mês, uma fábula, um absurdo, considerando que estamos no Brasil, país em que o salário mínimo é de R$ 1.621. Com a renovação agora, teria aumento estimado em 20%. Copa ganha, pode pedir 40%, 50%. A CBF ampliará seu faturamento com mais patrocinadores (que empresa não vai querer ligar a imagem ao time hexa mundial?), pagará com um pé nas costas.

Aguardar significaria sabedoria, escassa no mundo do futebol. Apressar é fazer aposta, e Xaud pode comer cru.


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