A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou nesta terça-feira (27) o modelo de profissionalização da arbitragem da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Inicialmente, 72 profissionais farão parte de um grupo de elite, formado por 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR).
Os árbitros serão vinculados à entidade como prestadores de serviço. Os contratos serão assinados ao longo do mês de fevereiro, com duração até o final do ano. Todos serão remunerados, com salários mensais, taxas variáveis e bônus por desempenho, e deverão se dedicar prioritariamente à atividade, mas sem obrigação de exclusividade.
Os salários fixos têm diferenças por categorias. Árbitros vinculados à Fifa terão remuneração maiores do que aqueles vinculados somente à CBF, por exemplo. Os contratados também receberão por partida, como já acontece atualmente. A entidade não vai divulgar os valores específicos de cada categoria, mas, em média, cada um dos 72 contratadores terá vencimentos de R$ 13 mil por mês —esse valor poderá chegar a até R$ 30 mil fixos para o grupo de árbitros centrais.
Juridicamente, a CBF não pode exigir dedicação exclusiva de prestadores de serviço. Apesar disso, a ideia da entidade é oferecer um pacote de remuneração e formação que leve os profissionais a ter a arbitragem como única fonte de renda. Essa é a principal diferença em relação ao modelo atual, com os árbitros também atuando de forma autônoma, mas sem a previsibilidade de uma remuneração fixa.
Ao fim de cada temporada, ao menos dois árbitros serão rebaixados para atuar em divisões inferiores do futebol nacional. Também haverá promoção de profissionais. A análise de quem entra em quem sai da elite será feita a partir de um ranking, atualizado rodada a rodada, mas sem divulgação pública. Apenas a CBF terá acesso. A lista também vai balizar as escalas para os jogos.
Em setembro do ano passado, com o Campeonato Brasileiro em curso, a CBF divulgou um relatório sobre a atuação dos árbitros no primeiro turno. A análise de todos os jogos apontava um sucesso retumbante, com precisão de 99,79% das decisões.
Duas semanas depois da divulgação do relatório, a confederação se viu diante de mais uma crise no apito. Com erros gritantes ao longo da 27ª rodada, a CBF contrariou a própria praxe e anunciou ainda no domingo (5), pouco após o último jogo do dia terminar, o afastamento dos principais responsáveis pelo trabalho de campo e pelo VAR de duas partidas.
A suspensão imediata por causa de falhas claras foi uma resposta ao clamor popular e à pressão de dirigentes dos clubes prejudicados –neste caso, Grêmio e São Paulo. Mas foi também uma demonstração de que a alardeada precisão de 99,79% está distante da percepção do público, com protestos recorrentes.
O caso mais emblemático ocorreu no clássico em que o Palmeiras venceu o São Paulo por 3 a 2. O time tricolor vencia o clássico por 2 a 0 e, no início do segundo tempo, teve um pênalti em Tapia sonegado pela arbitragem. O VAR nem chamou.
Ramon Abatti Abel e Ilbert Estevam interpretaram que não houve intenção de Allan ao derrubar o atacante do São Paulo. A CBF admitiu o erro, e o STJD puniu a dupla com 40 dias de suspensão.
Lances como esse motivaram a entidade a criar um grupo de trabalho que foi responsável pela criação do primeiro modelo de profissionalização.
Segundo a CBF, a profissionalização da arbitragem faz parte de um pacote de R$ 195 milhões que serão investidos na categoria até o fim de 2027. A entidade não divulgou o valor fixo que será pago a cada árbitro, mas o orçamento destinado a essa rubrica está na casa dos R$ 12 milhões por ano.
Mesmo com o novo modelo de contratação, a confederação poderá afastar da escala profissionais que tenham cometido erro grave.
A seleção dos árbitros que compõem o primeiro grupo vinculado diretamente à CBF teve como ponto de partida o quadro da Fifa (Federação Internacional de Futebol). Além disso, a entidade brasileira também levou em consideração as notas de avaliação de desempenho nas temporadas de 2024 e 2025.
No ano passado, a comissão de arbitragem escalou 32 árbitros diferentes ao longo do Brasileiro. Agora, há o entendimento de que um quadro fixo de 20 árbitros centrais é suficiente para a organização do torneio. O número foi definido a partir de práticas adotadas por ligas estrangeiras, consultadas pela CBF.
“Trata-se de uma mudança estrutural profunda e necessária, pedida há décadas por todos aqueles que amam nosso esporte. É um movimento que segue as melhores práticas de outras grandes federações do mundo”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.
Ainda segundo a confederação, os pioneiros da profissionalização da arbitragem terão planos individualizados, com rotina semanal de treinos, e estarão sob monitoramento tecnológico. Eles contarão com suporte na área de saúde e passarão por quatro avaliações anuais, com testes físicos e simulações de jogo.
Haverá também uma rotina de capacitação, com imersões mensais que incluem aulas teóricas, testes e sessões práticas em campo.
Além da remuneração específica, os 72 árbitros serão avaliados sistematicamente por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF. Receberão notas a partir de um conjunto de variáveis, como controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e clareza na comunicação, e integrarão um ranking atualizado a cada rodada.
Veja a lista dos 20 árbitros centrais selecionados pela CBF
- Alex Stefano
- Anderson Daronco
- Bráulio Machado
- Bruno Arleu
- Davi Lacerda
- Edina Batista
- Felipe Lima
- Flávio Souza
- Jonathan Pinheiro
- Lucas Casagrande
- Lucas Torezin
- Matheus Candançan
- Paulo Zanovelli
- Rafael Klein
- Ramon Abatti Abel
- Raphael Claus
- Rodrigo Pereira
- Savio Sampaio
- Wagner Magalhães
- Wilton Sampaio
A lista dos 40 assistentes
- Alessandro Matos (CBF), Alex Ang (Fifa), Alex Dos Santos (CBF), Alex Tomé (CBF), Andrey Freitas (CBF), Anne Kesy ( Fifa), Brigida Cirilo (Fifa), Bruno Boschilia (Fifa), Bruno Pires (Fifa), Celso Silva (CBF), Cipriano Silva (CBF), Daniela Coutinho (Fifa), Danilo Manis (FIFA), Douglas Pagung (CBF), Eduardo Cruz (CBF), Evandro Lima (CBF), Fabrini Bevilaqua (Fifa), Felipe Alan (CBF), Fernanda Kruger (Fifa), Fernanda Nandrea (Fifa), Francisco Bezerra (CBF), Gizeli Casaril (Fifa), Guilherme Camilo (Fifa), Joverton Lima (CBF), Leila Naiara (Fifa), Leone Rocha (CBF), Luanderson Lima (Fifa), Luiz Regazone (CBF), Maira Mastella (Fifa), Michael Stanislau (CBF), Nailton Junior (Fifa), Neuza Back (Fifa), Rafael Alves (Fifa), Rafael Trombeta (CBF), Rodrigo Correa (Fifa), Schumacher Gomes (CBF), Thiaggo Labes (CBF), Thiago Farinha (CBF), Tiago Diel (CBF) e Victor Imazu (Fifa)
A lista dos 12 árbitros VAR
- Caio Max, Charly Wendy, Daiane Muniz, Daniel Bins, Diego Lopez, Marco Fazekas, Pablo Ramon, Rodolpho Tolski, Rodrigo Dalonso, Rodrigo Guarizo, Rodrigo Sá e Wagner Reway.

