segunda-feira 13, abril, 2026 - 18:15

Brasil Hoje

Carga tributária sobe para 32,4% do PIB em 2025

A prévia da carga tributária do Brasil subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB)

image_printImprimir


A prévia da carga tributária do Brasil subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, informou o Tesouro Nacional na última sexta-feira (10). Em 2024, o mesmo indicador havia ficado em 32,22%, o que representa uma alta de 0,18 ponto percentual.

Esse foi o maior valor da série histórica iniciada em 2010. Segundo o Tesouro Nacional, o avanço da carga tributária foi influenciado por diferentes fatores, entre eles o crescimento da economia, a recuperação do emprego formal, a tributação de offshores e o fim de isenções sobre combustíveis.

A elevação do peso dos tributos sobre a economia foi puxada principalmente pelo aumento da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da Previdência Social. Também contribuiu para esse resultado a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve aumento em operações cambiais, de crédito e na saída de moeda estrangeira.

Ao mesmo tempo, alguns tributos ligados ao consumo perderam participação em relação ao PIB, mesmo com crescimento nominal da arrecadação. É o caso dos impostos federais sobre bens e serviços e do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo estadual do país.

Alta da carga tributária foi a maior da série desde 2010

Com resultado de 32,4% do PIB em 2025, a prévia da carga tributária atingiu o maior patamar desde o início da série histórica, em 2010.

Em 2024, o indicador havia alcançado 32,22% do PIB. A diferença de 0,18 ponto percentual mostra uma ampliação do peso dos impostos e demais tributos sobre a economia brasileira no intervalo de um ano.

Segundo o Tesouro Nacional, o principal fator para o aumento foi o crescimento da economia e do emprego formal. Esse movimento elevou a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte em 0,23 ponto percentual do PIB e a arrecadação da Previdência Social em 0,12 ponto percentual do PIB.

Esses dados mostram que o avanço da carga tributária esteve ligado, em parte, à expansão da atividade econômica e do mercado formal de trabalho, que ampliaram a base de arrecadação de tributos incidentes sobre renda e folha.

IOF também contribuiu para elevação da carga tributária

Outro fator apontado para a alta da carga tributária em 2025 foi a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras.

De acordo com o Tesouro Nacional, o aumento do IOF fez a prévia da carga tributária subir 0,1 ponto percentual.

No ano passado, o governo elevou o IOF sobre operações cambiais e de crédito e sobre a saída de moeda estrangeira.

A medida chegou a ser derrubada pelo Congresso, mas foi parcialmente mantida pelo Supremo Tribunal Federal.

Com isso, o IOF teve papel relevante no resultado consolidado da carga tributária apurada em 2025.

Impostos sobre consumo perderam participação no PIB

Embora a carga tributária total tenha subido, os impostos federais sobre bens e serviços, que incidem sobre o consumo, tiveram queda de 0,02 ponto percentual em 2025.

Segundo os dados apresentados, o valor nominal dessa arrecadação aumentou, mas a participação no PIB recuou.

Esse comportamento indica que, apesar da elevação em termos absolutos, o crescimento da economia foi suficiente para reduzir o peso relativo desses tributos sobre o total da atividade econômica.

O mesmo movimento foi observado no âmbito estadual com o ICMS, tributo que mais arrecada no país e também está ligado ao consumo.

ICMS cai em participação e ISS avança nos municípios

A receita do ICMS caiu 0,09 ponto percentual do PIB em 2025, mesmo com aumento nominal da arrecadação.

Segundo o Tesouro Nacional, essa queda reflete a composição do crescimento econômico em 2025, concentrado em setores sobre os quais não há incidência do ICMS ou em que a incidência é reduzida.

Esse comportamento ajuda a explicar por que a arrecadação estadual perdeu participação no PIB mesmo em um cenário de expansão econômica.

Na esfera municipal, o movimento foi diferente. A receita do Imposto sobre Serviços (ISS) subiu 0,02 ponto percentual do PIB.

O avanço foi impulsionado pelo crescimento de 2,9% no volume de serviços em 2025, o que ampliou a arrecadação municipal ligada à atividade do setor.

Carga tributária federal sobe e estadual recua

Ao analisar o peso da arrecadação por esfera de governo, o Tesouro Nacional apontou aumento da carga tributária federal e municipal, com recuo no nível estadual.

A carga tributária do governo federal subiu 0,26 ponto percentual em 2025, passando de 21,34% para 21,6% do PIB.

Nos estados, o peso dos impostos caiu 0,1 ponto percentual, de 8,48% para 8,38% do PIB.

Nos municípios, a arrecadação de impostos subiu 0,03 ponto percentual, de 2,39% para 2,42% do PIB.

Segundo os dados apresentados, a alta na esfera municipal foi puxada por aumentos no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e no ISS.

Impostos sobre renda e capital tiveram alta

Na classificação econômica que soma as três esferas de governo, os Impostos sobre bens e serviços caíram 0,09 ponto percentual do PIB em relação a 2024.

Essa parcela passou de 13,87% para 13,78% do PIB.

Em sentido oposto, os Impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB.

A alta foi de 0,12 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Esse resultado reforça que a elevação da carga tributária em 2025 foi sustentada principalmente por tributos relacionados à renda e à formalização da atividade econômica, e não pelos impostos sobre consumo.

Impostos sobre propriedade, folha e comércio exterior também avançam

A arrecadação dos impostos sobre a propriedade subiu 0,02 ponto percentual, passando de 1,71% para 1,73% do PIB.

A receita dos impostos sobre a folha de pagamento e a mão de obra avançou 0,01 ponto percentual, de 0,3% para 0,31% do PIB.

Já os impostos sobre o comércio externo e as transações internacionais tiveram crescimento de 0,05 ponto percentual, passando de 0,66% para 0,71% do PIB.

Segundo o Tesouro Nacional, esse avanço foi impulsionado pelo crescimento das importações.

Esses dados mostram que a elevação da carga tributária em 2025 teve contribuição disseminada entre diferentes grupos de tributos, embora com maior peso dos tributos incidentes sobre renda e contribuições sociais.

Contribuições sociais sobem com recuperação do mercado de trabalho

O peso das contribuições sociais sobre o PIB também subiu em 2025.

Segundo os números divulgados, essa parcela passou de 6,63% para 6,72% do PIB, o que representa uma alta de 0,09 ponto percentual.

A principal influência veio da contribuição para a Previdência Social, que subiu de 5,28% para 5,4% do PIB.

De acordo com o Tesouro Nacional, esse crescimento foi puxado pela recuperação do mercado de trabalho.

O desempenho confirma a relação entre ampliação do emprego formal e aumento da arrecadação previdenciária, um dos fatores centrais para o avanço da carga tributária no período.

Tesouro divulga prévia antes do dado oficial da Receita

O Tesouro Nacional informou que divulga, em março ou abril, uma estimativa própria da carga tributária referente ao ano anterior.

Segundo o Ministério da Fazenda, a elaboração dessa prévia é necessária porque os dados precisam ser incluídos na prestação de contas da Presidência da República.

O número oficial da carga tributária, no entanto, é divulgado posteriormente pela Receita Federal.

De acordo com a informação apresentada, esse dado oficial costuma ser publicado ao longo do segundo semestre.

Assim, a estimativa divulgada agora funciona como referência antecipada sobre o peso dos impostos e demais tributos sobre a economia brasileira em 2025.

Offshores e combustíveis influenciaram o resultado

Entre os fatores que influenciaram a prévia da carga tributária em 2025, o Tesouro Nacional destacou a tributação de offshores e o fim de isenções sobre combustíveis.

Esses elementos aparecem entre os componentes que ajudaram a explicar a elevação do indicador para 32,4% do PIB.

A alta também foi favorecida pelo crescimento econômico, pela expansão do emprego formal, pelo aumento da arrecadação do IRRF e da Previdência Social e pela elevação do IOF.

Em contrapartida, tributos ligados ao consumo, como os impostos federais sobre bens e serviços e o ICMS, perderam participação relativa no PIB.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a carga tributária total avançou mesmo em um cenário em que parte dos tributos sobre consumo recuou em participação.





Source link

Leave A Comment