Brasília recebe, a partir deste domingo, mais de oito mil lideranças indígenas para o Acampamento Terra Livre. O encontro marca o início do Abril Indígena, mês de mobilização nacional, resistência e visibilidade desses povos. Entre os principais temas estão o marco temporal, a demarcação de terras e a exploração de petróleo, gás e minerais em territórios indígenas. Também entram na pauta a crise climática, a democracia e as eleições. O coordenador executivo da Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Dinamam Tuxá, explica o tema deste ano:
“E este ano nós trazemos como tema: ‘Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós’, justamente pegando ali o arcabouço dessa discussão geopolítica na disputa, principalmente, por metais raros, que está as terras indígenas ali sendo colocada com um grande potencial exploratório; a flexibilização da legislação brasileira na questão do licenciamento ambiental, com a lei que foi aprovada do marco temporal.”
Dinamam Tuxá também destaca outras pautas importantes:
“Nosso eixo central desses 20 anos do Acampamento Terra Livre, que é a demarcação das terras indígenas. E no judiciário também da discussão de mineração, do marco temporal, também a utilização de defensivos agrícolas em terras indígenas. E este é o momento que nós se juntamos e aí fica mais evidente essa unidade dos povos indígenas que luta contra toda ou qualquer ameaça que venha ocasionar impacto dentro dos nossos territórios.”
A programação inclui duas grandes marchas na área central de Brasília. Uma, na terça-feira, até o Congresso Nacional, pela derrubada de pautas anti-indígenas. Outra, na quinta, ao Palácio do Planalto, para cobrar do presidente Lula a demarcação de terras. Na sexta-feira, está prevista a leitura do documento final com as propostas do encontro.

