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Copa do Mundo: Um Messi tático – 04/07/2026 – PVC

Há um delicioso livro chamado “Messi Táctico”, publicado pelo jornalista Al

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Há um delicioso livro chamado “Messi Táctico”, publicado pelo jornalista Alex Delmas, em 2018. Trata da evolução de posicionamentos do melhor jogador do planeta no século 21.

Quando estreou no Barcelona, na temporada 2004/2005, era ponta-direita. O ataque titular do Barça nas oitavas de final da Champions de 2006 tinha Messi, Eto’o e Ronaldinho. Messi apanhou muito do lateral-esquerdo Del Horno, do Chelsea, nas oitavas. Machucado, ficou fora das quartas e o francês Giuly foi titular na final, vencida contra o Arsenal.

Três anos depois, na véspera de um clássico contra o Real Madrid, Guardiola chamou Messi ao seu quarto, mostrou o espaço vazio às costas dos volantes Fernando Gago e Lass Diarra e lhe pediu: “Quando eu fizer um sinal, quero que inverta de posição com Eto’o. Ele vai para a ponta, você como centroavante, mas nas costas dos meio-campistas”.

Messi marcou dois gols, o Barcelona goleou o Real Madrid por 6 x 2 e Guardiola popularizou a expressão “falso 9”.

Na ciência, vácuo é a ausência de matéria num espaço ou região. Os cientistas deveriam estudar Messi em sua carreira e também nesta Copa do Mundo.

Lionel Scaloni inventou outro lugar para seu camisa 10 brilhar. Fora do confronto, longe da guerra, distante dos zagueiros, lugar que ninguém consegue saber onde é.

A Argentina não joga bem na Copa, como se viu contra Cabo Verde. Messi, sim. Quando o time de Scaloni se defende, Messi fica sozinho no ataque. Não toca na bola e seu máximo esforço é cercar os zagueiros antes do primeiro passe.

Quando ataca, a Argentina avança cinco jogadores. Normalmente De Paul, Lautaro, Almada, Enzo Fernández e Medina. Messi dá dois passos para trás. Na posição de número 8, meia-armador, parece invisível aos marcadores, como aconteceu na arrancada desde a intermediária para marcar o primeiro gol contra a Áustria.

Com Cabo Verde, distanciava-se dos conflitos, ora na ponta direita, ora na meia. É seu refúgio para fugir do confronto com o zagueiro, até perceber o vazio e se colocar no vácuo, como um carro de Fórmula 1 antes da ultrapassagem.

Guardiola não inventou o falso 9 com Messi. Muito antes disso, Mathias Sindelar fazia essa mesma função na Áustria, semifinalista da Copa de 1934. “O Homem de Papel”, apelido de Sindelar, abria corredores para Jozef Bican fazer gols, numa época em que as camisas dos jogadores não tinham números.

Na Hungria de 1954, o 9 era Nandor Hidegkuti e sua função era atrair os zagueiros para fora da área. Os goleadores eram Kocsis, número 8, e Puskas, o 10. Depois veio Johan Cruyff, 9 no Ajax e Barcelona, número 14 na Holanda. O centroavante mais inteligente da história, justamente porque não era centroavante, mas craque total. Ao circular pelo campo, permitia a Rep ocupar a grande área, entrando em diagonal. Cruyff ensinou o búlgaro Stoitchkov a fazer o mesmo no Barcelona campeão da Europa de 1992, que tinha Guardiola na equipe.

Aluno atento, Pep deu à luz o primeiro Messi tático.

O gênio dos espaços vazios herdou a camiseta 10 de Ronaldinho no Barcelona, em 2008, e a função de Johan Cruyff. A inteligência suprema de encontrar espaços vazios, de se tornar um homem invisível até ser visto quando o goleiro não pode fazer mais nada.

Este Messi reinventou seu lugar no campo nesta Copa. Longe da guerra, dos conflitos, dos zagueiros.


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