sábado 4, julho, 2026 - 3:56

Brasília

Pesquisa da Fiocruz abre caminho para vacina universal contra Malária

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram um conjunto inédito de

image_printImprimir


Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do Plasmodium – gênero de parasitas que causam a malária – que podem favorecer a produção de imunizantes mais eficazes contra a doença. O estudo, publicado nesta quarta-feira (1º) na revista Nature, investigou como o sistema imunológico reconhece o parasita e o papel dos chamados linfócitos TCD8, células de defesa capazes de identificar e destruir diretamente as células infectadas.

A coordenadora do estudo e pesquisadora da Fiocruz Minas, Caroline Junqueira, explica como essas células atuam:

“Quando tem esse contato entre o linfócito e a célula infectada, esse linfócito TCD8 libera moléculas que vão matar essa célula. Os fragmentos que nós identificamos de proteínas ficam bem ali nessa região do contato. Então, cada linfócito TCD8 reconhece apenas um tipo de fragmento de proteína. É como se fosse um endereço. Ele só vai naquelas células que têm aquele endereço especificamente.”

Análise

Em etapas, foram analisados, primeiro, os peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas do parasita localizados na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos. No total, foram identificados 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita. Após análise, descobriu-se que a maioria eram proteínas conhecidas como house keeping, essenciais para a sobrevivência do parasita e presentes em todas as fases da vida em diferentes espécies.

Na etapa de testes de resposta imunológica em humanos naturalmente infectados, infectados experimentalmente e animais – tanto primatas quanto camundongos –, verificou-se que os linfócitos reagiram às células infectadas de cinco espécies de Plasmodium.

Para Caroline Junqueira, isso mostra um potencial dos linfócitos TCD8 de reconhecer e eliminar diretamente células infectadas.

“Finalmente, a gente também conseguiu desenvolver duas vacinas bem preliminares nesse trabalho, mostrando o potencial protetor dessa vacina contra a malária. Hoje, a gente já tem outro estudo, que a gente pretende submeter ainda este ano, no qual conseguimos formular uma vacina ainda mais eficaz e com um potencial enorme de proteger contra diferentes espécies e nos diferentes estágios do ciclo celular do parasita.”

Segundo a pesquisadora, as vacinas disponíveis atualmente contra a malária não compreendem tantas espécies do parasita. Além disso, os imunizantes têm eficácia parcial, pois atuam na fase inicial da infecção e a proteção tende a diminuir com o tempo.

No entanto, apesar dessa nova possibilidade de imunização, ainda é preciso realizar outras etapas de validação e testagem clínica antes da real produção de uma vacina.

*Com informações da Agência Brasil e supervisão de Fábio Cardoso




Fonte GDF

Leave A Comment