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Copa: central de segurança exclui Irã e Haiti – 01/07/2026 – Esporte

Autoridades americanas montaram nos arredores de Washington uma central de segurança par

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Autoridades americanas montaram nos arredores de Washington uma central de segurança para monitorar os jogos da Copa do Mundo ao lado de policiais dos países participantes, mas deixaram de fora da operação duas seleções que participaram do torneio: Irã e Haiti.

A reportagem esteve na segunda-feira (29) no IPCC, sigla em inglês para Centro Internacional de Cooperação Policial, instalado em Leesburg, na Virgínia. A estrutura reúne representantes de 46 dos 48 países que disputam a Copa.

A lógica da operação é colocar, na mesma mesa, policiais dos países que irão se enfrentar e autoridades da cidade-sede responsável por aquele jogo. Na segunda, por exemplo, representantes brasileiros e japoneses estavam sentados na mesma mesa das autoridades de Houston, onde Brasil e Japão se enfrentaram.

Esses representantes mantêm contato direto com as polícias de seus países de origem. A ideia é que eles ajudem as autoridades americanas a identificar riscos que envolvam suas torcidas, como deslocamentos, grupos organizados, histórico de incidentes ou possíveis ameaças relacionadas à partida.

As informações são compartilhadas diretamente com a polícia local responsável pela segurança do jogo. Ao mesmo tempo, as cidades-sede também podem repassar orientações aos países participantes. Tais orientações são depois distribuídas aos torcedores por redes sociais ou outros canais oficiais.

Ao longo do dia, as delegações recebem briefings do Departamento de Estado, do centro de coordenação de inteligência e de outras agências americanas. Segundo o FBI, as informações são preparadas em um formato que possa ser compartilhado com os países parceiros.

Doug Olson, agente especial do FBI responsável pela coordenação de segurança da Copa, diz que o modelo torna a troca de informações mais rápida porque todos trabalham lado a lado durante as partidas.

“Esses representantes conhecem seus torcedores, sabem quem está indo ao jogo e se algo pode estar acontecendo”, disse Olson.

Irã e Haiti, porém, não foram convidados a integrar a estrutura. Segundo Olson, a exclusão foi uma decisão “de todo o governo”, tomada pelas diferentes agências envolvidas no planejamento da segurança do torneio.

O Irã, em conflito com os EUA, teve um esquema especial para disputar a Copa nos Estados Unidos. Andrew Giuliani, diretor da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, afirmou que o governo americano buscou garantir “igualdade de condições” para a seleção iraniana, ao mesmo tempo em que mantinha medidas de segurança.

A equipe ficou hospedada em Tijuana, no México, e viajou para Los Angeles apenas na véspera das duas primeiras partidas. Após os primeiros deslocamentos ocorrerem sem incidentes, o governo americano ampliou para dois dias o período de permanência da delegação em Seattle para o terceiro jogo da fase de grupos. A equipe tinha de retornar ao México imediatamente depois dos jogos.

A logística foi alvo de críticas do técnico e de integrantes da seleção iraniana, que disseram que isso prejudicava o rendimento da equipe.

Giuliani afirmou que o planejamento foi definido mais de um mês antes do início da competição e disse que a estratégia funcionou. Segundo ele, os jogadores iranianos foram tratados como atletas que queriam competir.

“Como os primeiros deslocamentos ocorreram sem problemas, concedemos à equipe esse segundo dia adicional. A equipe permaneceu em segurança durante todo o torneio”, diz o funcionário de Trump.

Terrorismo e a Copa

Com a designação de PCC e CV como organizações terroristas dias antes da Copa, Olson foi questionado sobre como a mudança poderia ajudar na segurança de grandes eventos como a Copa e afirmou que a designação de grupos como terroristas ajuda a ampliar os recursos disponíveis para investigações nos Estados Unidos.

“Não posso falar sobre esses grupos específicos, mas posso dizer que estamos definitivamente compartilhando informações sobre grupos de crime organizado”, afirmou. “A comunicação com as autoridades brasileiras sobre esses grupos é crucial, porque o Brasil é uma seleção que pode ir longe no torneio e tem uma grande torcida aqui. Queremos manter isso sob observação.”

Segundo o FBI, entre as informações compartilhadas diariamente no IPCC estão alertas sobre possíveis incidentes envolvendo torcedores, tráfico de pessoas e ameaças terroristas. Olson afirmou que o painel de monitoramento do centro já ultrapassou a marca de 300 registros considerados relevantes para a segurança do torneio.

Os informes vão desde crimes de menor potencial, como grupos de torcedores planejando levar fogos de artifício aos estádios, até suspeitas de tráfico de pessoas e informações relacionadas a possíveis ameaças terroristas. As informações são repassadas às autoridades responsáveis por cada cidade-sede para permitir uma resposta rápida.

A operação também monitora o espaço aéreo das cidades-sede. Giuliani afirmou que, desde o início da Copa, foram registradas 1.139 detecções de drones em áreas relacionadas ao torneio e realizadas mais de 300 intervenções para impedir voos irregulares.

Olson disse que o FBI já apreendeu mais de 500 drones e que a maior parte dos casos envolveu pessoas que desrespeitaram as restrições temporárias de voo, como corretores de imóveis, inspetores de telhados ou torcedores que tentavam gravar imagens das partidas.

Mesmo quando não há indícios de intenção criminosa, explicou, todos os casos são investigados porque voar nessas áreas é ilegal e pode colocar em risco aeronaves ou drones autorizados que operam no mesmo espaço aéreo.



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