A Copa do Mundo de 2026 é a primeira a reunir 48 países. O maior número de participantes acabou por encarecer um dos hobbies preferidos dos torcedores brasileiros: colecionar as tradicionais figurinhas com os retratos dos jogadores. A edição deste ano do álbum da Copa tem 980 adesivos, a maior coleção já lançada pela editora Panini.
Com mais figurinhas, aumentam os gastos. Cada pacote custa sete reais. Matemáticos calcularam que, se alguém quisesse preencher todo o álbum só comprando pacotes, poderia gastar até, acreditem, R$ 7.300. Isso porque, como em qualquer outra coleção dessa natureza, a distribuição nos pacotes é aleatória, fazendo com que saiam muitos adesivos repetidos.
Mas tem uma forma mais barata de completar o álbum: se juntar a colecionadores e amigos, ou ir a lugares específicos para trocar as figurinhas repetidas no esquema de “um por um”. Nestes casos, o custo pode cair até 80% e o gasto variar entre R$ 1.200 a R$ 1.700.
Foi o que fez o fisioterapeuta André Luiz, de 33 anos. Reunido com outros colecionadores em um ponto de troca em um shopping de Brasília, ele fala das vantagens da prática para conseguir os cromos que faltam.
“Chega um certo momento que não adianta mais comprar. Você compra pacotes, vai vir tudo repetido. A troca, além de ter uma maneira muito fácil de você achar que você realmente precisa, ainda tem essa dinâmica de sociabilidade, eu acho fantástico. Um monte de crianças correndo. Aí tem uns adultos junto com as crianças atrás de figurinhas, né?”
Entre os colacionadores reunidos também está a pequena Manuela Melo, de dez anos. Ela conta que, por meio de trocas, já está bem perto de completar seu álbum da Copa.
“Eu gosto porque tem… Eu gosto de conversar e trocar com outras pessoas, conhecer novas pessoas. E eu quero muito completar o álbum. E faltam duas para completar”.
Além das 980 figurinhas da coleção principal, o álbum deste ano traz 68 adesivos especiais, que fazem parte da série Legends, que desperta grande interesse dos fãs. São versões especiais de alguns dos principais jogadores do mundo com diferentes níveis de raridade: bordeaux, bronze, prata e dourada. O último tipo é o mais raro de todos. Segundo a Panini, só sai uma vez a cada 1.900 pacotes. Quem consegue achar um dessas chega a vender o adesivo em plataformas de compra e venda online por até R$ 500. E há quem compre.
Outra curiosidade desta edição está na diferença entre os retratados no álbum publicado pela Panini e a convocação oficial das seleções. O álbum foi lançado em maio, mas a produção da coleção teve início meses antes do anúncio da lista final de convocados de cada país participante. Alguns jogadores ficaram de fora, enquanto outros retratados nas figurinhas não jogarão. Na seleção brasileira, por exemplo, Rodryigo, Éder Militão e Estevão ganharam figurinhas, mesmo fora da lista do técnico italiano Carlo Ancelotti por estarem lesionados. A falta que mais gerou reclamações foi a de Neymar Júnior, que não apareceu.
Essas ausências acabaram sendo um ótimo negócio para a editora Panini, que lançou o kit chamado de Update Set, com 120 cromos para atualizar a coleção. Mais gastos para os ávidos fãs.
Se você não quer ou não pode gastar tanto, a troca de figurinhas, além de ajudar a completar o álbum, proporciona um ótimo momento de brincadeira e socialização com outros colecionadores. Afinal, o mais importante na Copa do Mundo é torcer e se divertir juntos.

