O Japão possui um ótimo conjunto, bons jogadores, pressiona bastante para recuperar a bola, alterna a troca curta de passes com as jogadas em velocidade, mas não tem a improvisação e o talento individual da seleção brasileira, especialmente de Vinicius Junior.
A equipe japonesa se posiciona com um trio de zagueiros, dois alas que atacam e defendem, dois meio-campistas hábeis e um trio de atacantes. Os jogadores mudam bastante de posição, com enorme disciplina tática. Será um jogo difícil, porém o Brasil tem mais chances de vencer.
Ancelotti deve manter a escalação e a formação tática, com quatro defensores, um trio de meio-campistas (Casemiro pelo centro, Bruno de um lado e Paquetá do outro), Rayan pela direita, atacando e voltando para marcar, formando um quarteto no meio-campo na proteção aos defensores. Matheus cunha centralizado, sem precisar voltar para marcar pela esquerda, atua mais próximo de Vini livre, que se movimenta por todo o ataque. Contra a Escócia, faltou mais compactação e mais intensidade para recuperar a bola.
O gol no início da partida, após falha grave do zagueiro, pressionado por Rayan, mudou todo o planejamento da Escócia. Eles, que provavelmente iriam marcar muito atrás para contra-atacar, tiveram que avançar. Deixaram enormes espaços na defesa e continuaram fracos no ataque.
Os detalhes mudam a história dos jogos. Hélio Schwartsman, na sua coluna “Dribles do acaso“, relatou que no livro “Os Números do Jogo”, publicado em 2013, os autores Chris Anderson e David Sally, depois de um rigoroso trabalho estatístico e analítico, concluíram que o acaso explica 50% dos resultados. Hélio completou: “Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida”.
Eu, que sempre valorizei o acaso no futebol, sem diminuir a enorme importância da estratégia, do planejamento e do talento individual, tenho agora o amparo da ciência para minha convicção, embora ache que 50% de gols por causa do acaso é um exagero.
Os grandes craques estão brilhando na Copa. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols. São craques também os excepcionais goleiros, como Courtois, da Bélgica, zagueiros como Van Dijk, da Holanda, laterais como Nuno Mendes, de Portugal, meio-campistas como Bruno Fernandes, de Portugal, Pedri, da Espanha, e outros.
Vini evoluiu. Está com uma técnica mais precisa, tenta menos jogadas impossíveis sem diminuir a inventividade, a fantasia e o bailado em campo. Assim como Maradona, Vini é um craque artista, diferentemente de Messi, que é muito mais craque que artista.
Kane é o craque discreto, coletivo, excepcional nas finalizações. Mbappé é o craque veloz, talentoso, com muita força física. Cristiano Ronaldo é o magistral finalizador, de todos os jeitos. Haaland é o gigante veloz e artilheiro. Lamine Yamal é o Vini pela direita, craque do presente e do futuro. Cada um tem seu jeito de fazer.
Neste domingo (28) começam os jogos eliminatórios, o mata-mata. O futebol simboliza a vida e a morte. Quando ganha, é o êxtase. Quando perde, morre e renasce.
No livro “A Terra É Redonda” (editora Nós), de Milly Lacombe e Jamil Chade, a jornalista escreveu: “O futebol em seu estado mais puro faz isso com a gente: aponta para a vida e lida com a morte. Dá sentido à existência, eleva o lugar de mais significado e ensina que tudo acaba. Morremos, renascemos, tornamos a morrer. Começo, meio e recomeço. Não existe fim, o tempo não é linear, depois de acabar volta a começar”.

