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Esporte

Copa do Mundo: pausa para hidratação é inimiga do futebol? – 22/06/2026 – Hanuska Bertoia

Uma das novidades desta Copa do Mundo, a pausa para hidratação foi vaiada pelas torcida

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Uma das novidades desta Copa do Mundo, a pausa para hidratação foi vaiada pelas torcidas nos estádios e criticada por jogadores e técnicos. Muitos dizem que o intervalo de três minutos no meio de cada tempo quebra o ritmo de jogo e alguns creditam a novidade a interesses comerciais da Fifa.

O chamado “cooling break” foi anunciado pela entidade como medida para minimizar os efeitos do forte calor nos jogadores durante as partidas. O torneio começou no dia 11 de junho e vai até 19 de julho, nos EUA, México e Canadá.

Nos dois primeiros países, as temperaturas passam de 30°C, mas nas cidades canadenses em geral a situação tem sido mais amena. A parada acontece sempre por volta dos 22 minutos de cada tempo.


É verdade que esses minutos abriram uma nova oportunidade de lucro para a entidade, com mais propagandas nas transmissões pelas TVs e nos streamings ou mesmo em campo. As seleções usam squeezes e coolers estampados com marcas do patrocinador da Fifa e telões nos estádios exibem propaganda.

Mas a pausa oferece aos técnicos mais do que aquela conversa à beira de campo com um jogador durante a partida. É a oportunidade de passar instruções para toda a equipe, mesmo que rapidamente.

Sem entrar no mérito de o intervalo ser bom ou ruim, o técnico da seleção portuguesa, Roberto Martínez, disse que treinadores e equipes têm de ter consciência de que a medida muda a dinâmica das partidas.

“É um aspecto muito importante, revolucionário, porque agora o jogo acontece em quatro partes”, afirmou. “Já vemos em outros esportes.”


O basquete, por exemplo, é dividido em quatro tempos de dez minutos cada. Os intervalos são de 2 ou 15 minutos. No vôlei, as equipes têm direito a dois tempos de descanso por set, cada um de 30 segundos, que os treinadores usam para ajustar seus times. Há ainda um intervalo de três minutos entre os sets.

O futebol americano, por sua vez, citado como um exemplo de sucesso de exploração publicitária nos intervalos, divide a partida em quatro tempos.


Na Copa, há casos em que o jogo mudou após a pausa para hidratação. A Austrália marcou seus dois gols sobre a Turquia, no dia 14, após as paradas no primeiro e no segundo tempo (27 e 75 minutos, respectivamente).

Na estreia brasileira na Copa, contra Marrocos, a parada do primeiro tempo aconteceu logo após o gol dos adversários.


Com uma prancheta na mão, o técnico Carlo Ancelotti passou instruções aos jogadores. Logo depois, a seleção conseguiu um pouco mais de domínio de bola no meio de campo e Vinicius Júnior empatou aos 32 minutos em uma jogada individual.

No sábado (21), a partida entre Alemanha e Costa do Marfim estava empatado sem gols até o intervalo. Logo depois dos três minutos de parada, a seleção africana abriu o placar, aos 30 minutos. Acabou perdendo de virada para os alemães, por 2 a 1, com um gol nos acréscimos.

Ao analisar os gols dos jogos até este domingo (21), encontrei ao menos oito partidas em que as seleções marcaram após os 25 minutos do primeiro tempo e os 71 minutos do segundo —considerei a parada aos 22 minutos mais os três minutos de pausa. Foram levados em conta apenas jogos com placares mais acirrados, deixando de lado as goleadas.

É claro que esse levantamento não tem precisão estatística, pois há outras variáveis que devem ser levadas em consideração. Por exemplo, comparação com partidas que não tinham o intervalo e se houve mudança tática efetiva após a pausa.

Por fim, há quem argumente que em partidas em locais onde a temperatura é agradável, como no Canadá ou em estádios climatizados, a parada não se faz necessária.

Segundo a Fifa, a uniformização da regra garante condições iguais para todas as equipes. Mas, se analisarmos pelo aspecto tático, uma eventual suspensão da medida nessas cidades não colocaria os times que lá jogam em desvantagem?

O debate está longe de acabar.


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