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Copa: bandeira antiga e protestos marcam jogo do Irã – 21/06/2026 – Esporte

Na chegada ao segundo jogo do Irã na Copa do Mundo, contra a Bélgica, neste domingo (21

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Na chegada ao segundo jogo do Irã na Copa do Mundo, contra a Bélgica, neste domingo (21), o entorno do SoFi Stadium se transformou em palco de uma disputa que ia além do futebol. Dezenas de iranianos exibiam a antiga bandeira do país, usada antes da Revolução Islâmica de 1979, e carregavam cartazes com frases como “FIFA, não nos silencie” e “Liberdade para o Irã”.

Entre eles estava Ladan Rostern, 53, que segurava um dos cartazes e dizia não ter qualquer intenção de entrar no estádio. Para ela, comparecer à partida significaria apoiar um governo que rejeita. “Não vou ao jogo porque não quero apoiar a seleção do governo. Algumas pessoas podem ir, mas eu não quero, de forma alguma, apoiar um governo que mata pessoas inocentes no Irã”, afirmou.

Rostern também criticou a Fifa por restringir a presença da antiga bandeira iraniana nos estádios. “Estamos mostrando algo sobre o qual a Fifa permanece em silêncio. Este é um país livre e o princípio fundamental aqui é a liberdade de expressão. Buscamos apoio, mas a Fifa não nos dá esse apoio”, disse.

A poucos metros dali, porém, o cenário era diferente. Enquanto manifestantes exibiam a bandeira pré-revolução, outros torcedores vestiam a camisa oficial da seleção iraniana, estampada com a bandeira adotada após a Revolução Islâmica. Em ao menos um momento, a reportagem presenciou uma discussão entre manifestantes e torcedores vestidos com a camisa oficial motivada por divergências políticas.

Apesar de também criticarem o governo iraniano, dois irmãos que aguardavam na fila para entrar no estádio carregavam a antiga bandeira do país e afirmavam não ver contradição entre protestar contra o regime e apoiar a seleção. Eles pediram para não ser identificados por temer represálias contra familiares que ainda vivem no Oriente Médio.

Um deles contou que teve a bandeira confiscada por funcionários da Fifa durante a estreia do Irã na competição. Segundo seu relato, recebeu a opção de entregar o item ou deixar o estádio. Ele afirma ter ficado muito chateado com a situação e pretendia voltar a exibir o símbolo diante da Bélgica, ainda que precisasse entrar com ele escondido. Para o iraniano, que vive nos Estados Unidos há cerca de duas décadas, o objetivo da viagem ao estádio era menos assistir à partida do que protestar contra as restrições impostas à bandeira.

Os irmãos rejeitam a ideia de que a seleção represente necessariamente o governo. Segundo eles, os jogadores dedicaram a vida ao futebol e não devem ser confundidos com as autoridades do país. Eles afirmam ainda que atletas ligados a movimentos de oposição ficaram fora da convocação e que alguns jogadores teriam enfrentado pressões para demonstrar lealdade ao regime.

O clima de mobilização política também chamou a atenção de torcedores sem ligação direta com a comunidade iraniana. Vestindo a camisa da Bélgica, a americana Melanie Rosenthel, 38, disse que acompanhava com interesse as manifestações promovidas por iranianos nos arredores do estádio.

“Foi muito emocionante. É um momento muito interessante para estar em um evento iraniano nos Estados Unidos”, afirmou.

Para ela, a mistura entre futebol e política não diminui a experiência esportiva. “Foi impressionante ver funcionários do estádio pedindo que as pessoas retirassem as bandeiras pré-revolução. Acho isso terrível. A organização deveria permitir. O esporte é inerentemente político”, disse.



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