“Somos sempre mandantes, e isso é uma vantagem grande”, disse Lionel Messi em entrevista logo após Argentina 3 x 0 Argélia, na estreia da atual campeã do mundo na Copa de 2026.
Referia-se aos milhares de torcedores argentinos que apoiaram a equipe alviceleste no estádio Arrowhead (capacidade para 73 mil espectadores), em Kansas City, no centro-oeste dos EUA, país que sedia este Mundial junto com Canadá e México.
Em campo, ao marcar todos os gols da Argentina, um no primeiro tempo e dois no segundo, quem mandou foi ele, Messi. Em mais de uma frente.
Neste 16 de junho, o dia mais marcante desta Copa, que começou na quinta-feira (11), Messi chegou aos 16 gols em Copas do Mundo. Seu primeiro, em incrível coincidência, saiu em outro 16 de junho, o de 2006, 6 a 0 na Sérvia –era reserva e usava a camisa 19.
Agora, com a mítica camisa 10, ele manda no topo da artilharia, ao lado do alemão Miroslav Klose, que marcou o seu 16º e último 12 anos atrás, na Copa no Brasil, no 7 a 1 da Alemanha no Brasil, na semifinal no Mineirão, o Mineiraço.
Mandou também no dia. Na primeira partida desta terça-feira, outro craque, Kylian Mbappé, do Real Madrid, fez dois gols no 3 a 1 da França no Senegal, em East Rutherford (EUA).
Apenas em sua terceira Copa, chegou a 14 gols no total e passou Pelé, o melhor de todos os tempos, e Messi, que naquele momento somava 13 em cinco participações. Ficou a um de Ronaldo Fenômeno (15 gols).
Na segunda partida, Noruega 4 x 1 Iraque, em Boston, o superartilheiro Erling Haaland, do Manchester City, em sua estreia em um Mundial, balançou as redes também duas vezes, além de ter tido participação no quarto gol, que foi contra. Contundente.
Messi, então, mostrou a Mbappé, a Haaland e à humanidade por que tantos o chamam de goat (greatest of all time, o melhor de todos os tempos). Registrou um hat-trick, três gols no mesmo jogo, seu primeiro em uma Copa do Mundo. A artilharia era dele, de mais ninguém.
O camisa 10 mandou no jogo, foi o dono dele.
Também continua sendo, aos 38 anos, 11 a mais que Mbappé e 13 a mais que Haaland –menos rápido que eles mas muito mais cerebral (“está sempre no lugar certo”, disse Rafael Oliveira, comentarista da CazéTV, resumindo tudo), atuando nos EUA (Inter Miami) na reta final da carreira e convivendo com problemas físicos–, o dono da seleção argentina.
Messi fez dois gols de fora da área, com a bola rolando, não tendo medo de arriscar de longe, algo incomum no futebol de atualmente, por falta de capacidade ou de coragem do pé de obra (alô, Espanha, 0 a 0 com Cabo Verde). Quando alguém tenta, falta pontaria. A do argentino continua afiadíssima.
Não é novidade ele vazar, de boa distância, goleiros em Copas. A primeira vítima nesta tem sobrenome famoso: Luka Zidane é filho de Zinédine, algoz do Brasil na final de 1998.
De quebra, oportunismo. O segundo gol contra os argelinos mostrou que Messi está ligado o tempo todo. Quem chutou de fora da área, dessa vez, foi Mac Allister. Luka Zidane não segurou, e o capitão estava lá, perto do goleiro, para no rebote empurrar para as redes.
No estádio dos Chiefs, da NFL (liga de futebol americano), Messi foi o chefe: comandou os colegas, comandou o dia de Copa.
Mandou, por fim, um recado. Aos 39 anos, completados daqui a uma semana, está disposto, muito, a ser, pela segunda vez consecutiva, o dono de uma Copa do Mundo.

