A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) disse que Mehdi Torabi recebeu um visto de múltiplas entradas para os Estados Unidos nesta terça-feira (16), depois que o anterior expirou quando ele deixou o país após a estreia da equipe na Copa do Mundo em Los Angeles.
A seleção iraniana está se deslocando de sua base no torneio, na cidade fronteiriça mexicana de Tijuana, para seus três jogos da fase de grupos da Copa do Mundo, os dois primeiros em Los Angeles e o terceiro em Seattle.
A FFIRI disse mais cedo nesta terça que, embora a maioria do elenco tivesse vistos de múltiplas entradas, o de Torabi era válido apenas para uma entrada, e estavam tentando conseguir outro antes do segundo jogo do grupo do Irã contra a Bélgica no próximo domingo (21).
“Após esforços da Federação de Futebol e coordenação com a Fifa, o jogador recebeu um novo visto de múltiplas entradas hoje”, disse a FFIRI em comunicado.
“Com este visto agora garantido, Torabi não terá problemas para acompanhar a seleção iraniana em suas próximas partidas e estará disponível para viajar com o elenco durante o restante do torneio.”
Torabi, reserva não utilizado no empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia na segunda-feira (15), é um fervoroso apoiador do governo iraniano e tem ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Durante os protestos antigoverno de 2019, ele usou uma camiseta em campo durante uma partida de clube com os dizeres: “A única maneira de salvar o país é obedecer à liderança.”
O jogador de 31 anos também foi presença regular nos comícios noturnos pró-governo na praça Valiasr, em Teerã, que ocorreram após ataques aéreos dos EUA e de Israel à República Islâmica terem desencadeado um conflito regional no final de fevereiro.
O governo dos EUA classifica a IRGC como uma “entidade terrorista”, e o secretário de Estado Marco Rubio disse que não permitiria a entrada no país de qualquer pessoa com ligações à força militar de elite junto com os jogadores.
O supervisor da equipe iraniana na Copa, Mahdi Mohammad Nabi, estava entre os 15 funcionários da FFIRI que tiveram vistos negados para viajar aos EUA para a competição.
Esta seria a primeira Copa do Mundo em que um país-sede receberia um país com o qual estava em guerra, até que um acordo de paz foi anunciado pouco mais de 24 horas antes da partida de segunda-feira.
O técnico Amir Ghalenoei disse que o caos nas viagens decorrente das tensões entre Irã e EUA “oprimiu” seus jogadores e afetou o desempenho deles contra a Nova Zelândia.

