terça-feira 16, junho, 2026 - 12:42

Esporte

Falta atitude nesses caras pela seleção, afirma Romário – 16/06/2026 – Esporte

O início frustrante da seleção brasileira na Copa do Mundo tem múltiplos fatores, mas

image_printImprimir


O início frustrante da seleção brasileira na Copa do Mundo tem múltiplos fatores, mas, para Romário, um deles é determinante.

Segundo o ex-jogador, alguns dos principais nomes convocados por Carlo Ancelotti não conseguem reproduzir na seleção o mesmo futebol que apresentam em seus clubes. “Nem um pouco”, afirmou.

Para o campeão mundial de 1994, a explicação passa pela atitude em campo, muito aquém da esperada, sobretudo, no primeiro tempo do empate por 1 a 1 com Marrocos, no sábado (13).

“Falta atitude nesses caras quando eles vestem a camisa da seleção brasileira”, disse Romário em entrevista à Folha, em Nova York, de onde acompanha a seleção e cumpre compromissos comerciais.

O Baixinho cita Vinicius Júnior como exemplo de oscilação entre clube e seleção, embora com a ressalva de sua expectativa em relação à evolução do atacante do Real Madrid.

“O Vini que a gente quer é aquele Vini que jogou contra o Marrocos”, afirmou.

O ex-atacante também demonstrou confiança de que outros nomes possam reagir durante o Mundial.

Entre eles, citou Raphinha como um jogador capaz de dar um “estalo” com a camisa da seleção. “Eu acredito que ele vai mudar a atitude dentro do jogo.”

Aos 60 anos, Romário ainda exibe um corpo de atleta. Se estivesse no vestiário do MetLife Stadium, em Nova Jersey, durante o intervalo da partida contra os marroquinos, diz que teria assumido um papel de liderança capaz justamente de dar esse “estalo” nos jogadores.

“Eu sou um cara de trocar muita ideia. Eu demonstraria toda a minha revolta com o grupo e comigo também, se eu estivesse dentro do jogo, porque ninguém jogou nada”, afirmou.

No elenco atual, porém, ele não vê ninguém com capacidade de liderança para cobrar o grupo.

“Não vejo liderança nesse time do Brasil. As pessoas falam que o Marquinhos pode ser líder, o Casemiro pode ser líder. Cara, não vejo isso não”, reclamou. “Pelo menos dentro do campo não me passam nem um pouco [de confiança].”

A ausência de lideranças no elenco não faz Romário transferir a responsabilidade para Carlo Ancelotti.

Na visão do ex-atacante, o treinador tem sua importância, mas são os jogadores os principais responsáveis pelo desempenho da seleção. Para ele, apesar do currículo vitorioso do italiano, ele não pode ser tratado como mais importante do que os atletas.

“Se é assim, a gente está mal, realmente”, afirmou. “O treinador não faz gol. E o treinador bom, na minha opinião, é aquele que não atrapalha. Por mais que ele tenha sua relevância, seu tamanho, seu peso, quem ganha jogo são os jogadores.”

Nem por isso Romário poupou o italiano. O ex-jogador classificou como precipitada a decisão da CBF de renovar o contrato de Ancelotti antes do fim da Copa.

“Uma atitude muito ruim. Eu não renovaria antes de terminar a Copa do Mundo”, afirmou. “Vamos imaginar, é claro que não vai acontecer, o Brasil é eliminado na primeira fase. Como que o Ancelotti vai ficar na seleção?”

Embora reconheça que o cenário citado é muito improvável, “até alguns terceiros vão passar”, como ele mesmo lembra, Romário também demonstra insatisfação com algumas colocações do italiano em relação à seleção brasileira.

Ele ficou especialmente indignado quando o treinador afirmou que a seleção precisava ter medo, como um ingrediente necessário para quem busca o sucesso.

“A seleção não pode ter medo de ninguém, não existe ter medo de ninguém. Se você entra com medo de algum adversário, tu já entra perdido”, afirmou. “É claro que existem alguns adversários que tu tem que respeitar, mas medo [de] nenhum.”

Para o ex-jogador, os adversários é que deveriam voltar a sentir medo da seleção brasileira. “Mas isso acabou. Não só o Marrocos. Hoje você pode vencer o Brasil jogando futebol do jeito que o Marrocos jogou.”

Mudanças no time

Diante do desempenho da estreia, Romário defende alterações na equipe para a sequência da Copa. Entre as mudanças, gostaria de ver mais juventude em campo.

“Eu colocaria o Endrick ou o Rayan”, afirmou. “Os dois são fazedores de gol. Um é mais forte e o outro é mais técnico, mas os dois sabem fazer gol.”

O ex-atacante também defendeu a utilização de Neymar, caso o camisa 10 esteja em condições clínicas de atuar na sexta-feira (19), contra o Haiti.

Apesar das críticas ao desempenho da seleção, Romário acredita que uma campanha vitoriosa na América do Norte ainda teria capacidade de mobilizar o país.

“A Copa do Mundo tem esse poder no nosso país”, afirmou. “Faz com que o brasileiro possa esquecer um pouco essas coisas que vêm acontecendo negativamente e sorrir.”

O ex-atacante, porém, vê uma distância crescente entre a seleção e a torcida. Para ele, a geração atual não compreende o alcance de uma conquista mundial para além do futebol.

“A seleção brasileira não consegue conectar com o povo. Esse é um problema sério. Essa conexão não acontece”, afirmou. “Eles não conseguem entender que uma vitória em uma Copa do Mundo tem uma relevância muito além do futebol.”

Enquanto acompanha a seleção na Copa do Mundo, Romário seguirá exercendo o mandato de senador.

Durante o Mundial, ele tem atuado como comentarista em algumas partidas do torneio. Segundo seu gabinete, a atividade privada é compatível com as funções legislativas. “Basta ver o número de senadores e deputados que exercem outras funções em paralelo ao mandato.”

Até a final do Mundial, em 19 de julho, o Senado não tem sessões deliberativas presenciais previstas, o que facilita a participação remota nas atividades da Casa.



Fonte da Notícia

Leave A Comment