Os diagnósticos sobre autismo e TDAH estão se tornando cada vez mais comuns, gerando a curiosidade nas pessoas e um estudo mais aprofundado sobre a neurodivergência. Esse movimento chega até o universo dos animais de estimação, como os cachorros, que são cada vez mais vítimas dessas condições. Isso leva cada vez mais cientistas a investigarem sobre se pode existir cães autistas e como funciona a mente dos pets, como revela a veterinária Érica Zanoni.
“Hoje já sabemos que existe sim uma base genética e neuroquímica que explica diferenças comportamentais em cães. Não podemos falar que é o autismo canino, TDAH ou altas habilidades como nos humanos. Isso seria incorreto. Mas é verdade que alguns animais têm expressões comportamentais moduladas por genes específicos e concentrações diferentes de neurotransmissores. E isso muda completamente a forma como eles percebem o mundo. E aqui vem a parte mais surpreendente: muitos tutores confundem medo, sensibilidade, excitabilidade com o mau comportamento, quando, na verdade, nós estamos diante de um cérebro que funciona de uma maneira diferente”.
Mas diagnosticar animais pode ser mais difícil. Acolhimento e tratamento diferenciado são necessários, como aconselha a veterinária Érica Zanoni.
“E o que precisa ser feito é acolhimento. É o manejo diferente e não punição. Talvez o seu cão não seja teimoso, talvez ele tenha um cérebro hipersensível. Talvez ele não seja desobediente, seja neurodivergência comportamental. E quando a gente entende isso, tudo muda, o treino tem que mudar”.
O comportamento animal só é estudado por uma visão própria do ser humano, que acaba rotulando alguns cães como impulsivos. Para esses cães, no entanto, a sua impulsividade aparente pode ser um comportamento normal para a sua raça. O comportamento impulsivo em cães também está ligado a baixos níveis de neurotransmissores.

