segunda-feira 11, maio, 2026 - 20:21

Brasil Hoje

O que encarece os pagamentos transfronteiriços na América Latina?

Empresas globais que entram na América Latina frequentemente replicam a mesma stack de p

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Empresas globais que entram na América Latina frequentemente replicam a mesma stack de pagamentos utilizada na Europa ou nos Estados Unidos. O resultado recorrente é uma performance abaixo do esperado, com taxas de conversão significativamente inferiores — em alguns casos, reduzidas à metade.

Esse efeito impacta diretamente indicadores financeiros relevantes, como receita bruta, taxa de aprovação de transações e retorno sobre investimento em aquisição de clientes. Embora muitas vezes seja atribuído a fatores como produto ou marketing, a principal causa está na inadequação da infraestrutura de pagamentos às preferências locais.

O mercado, por outro lado, apresenta forte expansão. O e-commerce transfronteiriço na região atingiu US$51,8 bilhões em 2023, com crescimento anual de US$8,7 bilhões. Mais de 50% dos consumidores no Brasil e no México já realizaram compras internacionais, percentual que supera 70% em países como Chile e Peru. Do ponto de vista financeiro, isso indica que a limitação não está na demanda, mas na capacidade de capturá-la de forma eficiente.

A principal ineficiência está na dependência de cartões internacionais como único meio de pagamento. Essa limitação resulta em maior taxa de recusas, fricção no checkout e exclusão de consumidores que utilizam métodos alternativos — afetando diretamente a conversão e, consequentemente, a receita.

No Brasil, o Pix já representa 16% das transações de e-commerce e apresenta crescimento anual composto de 26% até 2026. Carteiras digitais crescem cerca de 20% ao ano na região, enquanto métodos como boleto bancário e vouchers ainda respondem por aproximadamente 9% do volume. Além disso, 47% das transações de e-commerce ocorrem via dispositivos móveis, o que exige fluxos de pagamento adaptados a esse ambiente.

A ausência desses métodos implica perda direta de receita e redução do potencial de market share em mercados já ativos.

Outro fator relevante é a complexidade cambial e fiscal. Operações transfronteiriças envolvem exposição a variações de moeda, custos de conversão, prazos distintos de liquidação e obrigações tributárias locais. Sem uma estrutura adequada, esses elementos impactam fluxo de caixa, aumentam custos operacionais e ampliam riscos de não conformidade.

Cada mercado da região opera com características próprias:

  1. Brasil: Pix e boleto, com alta liquidez e adoção
  2. México: SPEI e pagamentos em espécie via vouchers
  3. Argentina: forte presença de parcelamento e carteiras digitais
  4. Outros mercados: variações relevantes em regulamentação e liquidação

Essa heterogeneidade inviabiliza uma abordagem padronizada sem perdas financeiras relevantes.

Nesse contexto, a infraestrutura local deve ser tratada como um componente estratégico de eficiência financeira. Isso inclui operar com entidades licenciadas, utilizar trilhos bancários domésticos e garantir aderência regulatória direta — fatores que contribuem para maior taxa de aprovação, redução de custos transacionais e previsibilidade de fluxo de caixa.

A LaFinteca atua nesse modelo, estruturando operações com base em infraestrutura local e integração direta aos sistemas financeiros de cada país. Na prática, isso permite reduzir fricções no pagamento, melhorar a conversão e otimizar o desempenho financeiro de operações transfronteiriças.

Empresas que alinham sua infraestrutura às especificidades locais tendem a capturar de forma mais eficiente a demanda existente, com impacto direto em receita e margem operacional.

Por Dmytro Rukin, CEO da LaFinteca





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