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Esporte

Cego, Leo Santo Forte encara ‘missão’ no fisiculturismo – 07/05/2026 – Músculo

Para grande parte da população, a rotina de um fisiculturista, que é baseada em treino

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Para grande parte da população, a rotina de um fisiculturista, que é baseada em treinos de musculação e dietas restritivas, pode ser monótona ou exaustiva. Para Leonardo de Oliveira, no entanto, o esporte é uma “missão”. Cego, o atleta já participou de mais de dez campeonatos e encara a representatividade que carrega: “Sou espelho para muitas pessoas. Eu não posso parar. É por isso que eu sou tão dedicado”.

Também conhecido como Leo Santo Forte, o fisiculturista lembra, em entrevista à coluna, de quando percebeu ter essa responsabilidade: “Uma vez, uma pessoa me chamou e disse que, ao me ver competindo, desistiu de ‘fazer uma besteira’ com a própria vida. Naquele momento, eu estava meio desanimado com o resultado de um campeonato, mas depois disso eu entendi que eu tenho uma missão”.

Santo Forte perdeu sua visão após sofrer um acidente de carro que quase ceifou sua vida. Na época, o massoterapeuta já era praticante assíduo da musculação, o que fez com que ele não tivesse “tempo para ficar mal”, já que “a primeira coisa” que fez foi “aprender a andar de bengala só para ir até a academia”.

Ele afirma que “o palco serve só para você mostrar o resultado do seu esforço, mas o que eu amo mesmo é treinar (…) Eu amo fazer musculação”.

Desafios

Uma das maiores dificuldades relacionadas a esse esporte, para o praticante, são as poses. Ele, entretanto, usa as lembranças de quando enxergava para executá-las. “Acompanho o fisiculturismo há muito tempo, então eu já conhecia as poses antes de ficar cego. Me baseio muito nessas memórias”, destaca.

Auxiliado pelo preparador Hélio Henrique desde o início da carreira nos palcos, Santo Forte também aponta que usa “alguns exercícios para aprimorar” sua “consciência corporal” e faz um agradecimento a todos que lhe ajudaram nesse sentido: “O Pajé também já me ajudou muito. Houve até adversários que, em cima do palco, me ajudaram a encaixar uma pose ou outra da melhor maneira. Por isso que eu digo que não estou sozinho, que a minha equipe é grande. Tem muita gente que me inspira”.

Já no treino, o fisiculturista usa essa consciência corporal para estimular a musculatura do modo mais eficiente possível. “Aquilo que a gente às vezes chama de conexão entre mente e músculo é muito maior neles do em nós”, diz Henrique. O preparador garante que “alguns exercícios, para eles, são mais dificultosos do que para nós, mas eles se adaptam. Por exemplo, um agachamento livre. É difícil executar esse exercício sem se olhar no espelho. Mas eles conseguem fazer por ter uma percepção melhor que a nossa”.

“Eu preciso ter a consciência exata sobre aquela musculatura para conseguir ativá-la”, conclui Santo Forte.


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