quarta-feira 6, maio, 2026 - 21:39

Saúde

Imunoterapia antes da cirurgia evita volta de câncer de cólon

A imunoterapia antes da cirurgia pode reduzir o risco de retorno de um tipo específico d

image_printImprimir


A imunoterapia antes da cirurgia pode reduzir o risco de retorno de um tipo específico de câncer colorretal. O estudo, feito por pesquisadores da University College London (UCL), publicado na ScienceDaily, acompanhou cerca de 32 pacientes que receberam a imunoterapia por nove semanas antes da cirurgia para retirada do câncer de cólon.

Conforme mostrou a pesquisa, o medicamento utilizado ajuda o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Após quase três anos de acompanhamento, nenhum dos participantes teve volta da doença.

O resultado foi possível pois os pacientes tinham câncer colorretal em estágio 2 ou 3, fases em que a doença ainda pode ser tratada com intenção curativa, mas apresenta risco de voltar após o tratamento. Na prática, isso significa que as células do tumor acumulam muitas alterações no DNA.

Essas mudanças funcionam como “sinais de alerta” para o sistema de defesa do organismo, tornando o câncer mais fácil de ser reconhecido e combatido pela imunoterapia. Por isso, o efeito observado no estudo não vale para todos os casos de câncer de cólon ou reto, mas para um grupo selecionado de pacientes.

Pela abordagem tradicional, o paciente costuma passar primeiro pela cirurgia e, depois, pode receber meses de quimioterapia para diminuir a chance de recidiva.

Como a imunoterapia age

O pembrolizumabe é um tipo de imunoterapia já usado no tratamento de alguns cânceres. Diferentemente da quimioterapia, que ataca as células que se multiplicam rapidamente, a imunoterapia atua ajudando a defesa do corpo a enxergar melhor o tumor. No estudo, o medicamento foi aplicado antes da cirurgia, em uma estratégia chamada tratamento neoadjuvante, usada quando a intenção é reduzir ou controlar o tumor antes da operação.

O resultado inclui tanto os pacientes nos quais o tumor desapareceu completamente quanto aqueles que ainda tinham pequenos vestígios da doença após o tratamento. De acordo com os pesquisadores, nesses casos, o câncer remanescente não cresceu nem se espalhou durante o período de acompanhamento.

A comparação com o tratamento padrão ajuda a explicar o impacto do achado. De acordo com a UCL, cerca de 25% dos pacientes tratados com cirurgia seguida de quimioterapia podem apresentar retorno do câncer em até três anos. No grupo estudado, isso não ocorreu até o momento.

Amostra de sangue pode indicar resposta

Os cientistas analisaram amostras de sangue para entender por que o tratamento funcionou tão bem e como identificar quais indivíduos têm maiores chances de serem beneficiados. A equipe desenvolveu exames personalizados capazes de detectar se ainda havia DNA do tumor circulando no sangue.

Quando o DNA do tumor desaparecia do sangue, os pacientes tinham maiores chances de permanecer livres da doença. Para os pesquisadores, esse tipo de exame pode ajudar a acompanhar a resposta ao tratamento de forma mais rápida e precisa, mostrando se a imunoterapia está funcionando antes mesmo de novas decisões terapêuticas.

A ideia é que, no futuro, esses testes ajudem a personalizar o tratamento. Pacientes com boa resposta à imunoterapia poderiam precisar de menos intervenções antes ou depois da cirurgia, enquanto aqueles com maior risco de progressão ou retorno do câncer poderiam receber terapias adicionais.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o estudo ainda é inicial. A pesquisa envolveu apenas 32 pacientes, atendidos em cinco hospitais do Reino Unido, e todos tinham o mesmo perfil genético do tumor. Por isso, os achados não podem ser aplicados a todos os casos de câncer colorretal, embora reforcem a importância do diagnóstico precoce e da análise das características de cada tumor.

 



Fonte da Notícia

Leave A Comment