sexta-feira 1, maio, 2026 - 13:02

Brasília

Trabalhadores e empregados relatam os benefícios do fim da escala 6×1

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O fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso está na boca do povo.

“Trabalhar domingo é dobrado, não sei o quê… isso é legal. O lado ruim é justamente o social, que às vezes a gente não consegue participar de um aniversário, ou de não conseguir fazer uma consulta. Eu raramente também fazia uma consulta”.

“Eu acho que o trabalhador merece um pouquinho mais de qualidade de vida. Ele já passa muito tempo da vida dele ali no ambiente de trabalho”.

“Realmente é legal. É muito mais convidativo ficar em casa sábado e domingo. Mas ninguém fala de onde vai encaixar economicamente a falta desse dia trabalhado. Então, dado ao cenário do Brasil, eu não sou a favor, não”.

“Eu trabalhava 44 horas semanais durante o tempo que fui CLT e eu via como era desgastante, né? Imagina viver na escala 6×1. A pessoa não tem possibilidade nenhuma de aproveitar a vida”.

“Não é nem questão de salário em si, é mais pela questão de qualidade de vida mesmo, descanso mental. Agora, a questão de salário em si, foi legal deles colocarem em pauta também de não abaixar, né? Aumentar, deixar na mesma medida também. Eu sou garçom, amigo. Então é 6×1 ou, dependendo, é 7×0”. 

Fora o debate nas ruas, entidades representativas se posicionaram contra. A Confederação Nacional da Indústria calcula perda de R$ 76 bilhões. A Confederação do Comércio disse que os preços podem subir 13% com a mudança da jornada.

Mas algumas empresas resolveram testar a escala 5×2, como a rede de supermercados Pague Menos, no interior de São Paulo. A rede começou um projeto piloto em janeiro deste ano, que está em oito lojas no momento, mas pretende alcançar 16 unidades no primeiro semestre, o que representa 3.200 funcionários. São 44 horas semanais em cinco dias de trabalho, ajuste que precisou de muito diálogo com os trabalhadores e a revisão de processos e escalas, já que tem menos gente nas lojas durante o dia, como explica o diretor de gente e gestão da Pague Menos, Fernando Carneiro.

“E para o próprio colaborador, ele saiu de uma jornada diária de 7 horas e 20 minutos na escala 6×1 para uma jornada diária de 8 horas e 48 minutos. Então, evidentemente que nós tivemos que ouvir os colaboradores, ajustar as escalas, né? Para que a vida pessoal dele, embora toda a questão positiva de ter mais folgas não fosse prejudicada pelo aumento da jornada diária.

A avaliação dos resultados é gradual porque o tempo de amostragem ainda é pouco, mas está mais fácil atrair candidatos.

“Quando a gente divulga uma vaga, há um aumento considerável do número de candidatos interessados pelas vagas, o que nos faz preencher mais rapidamente as posições que nós temos em aberto. Tivemos uma ligeira queda do índice de absenteísmo, que é muito importante, porque as pessoas passam a ter mais dias de folga na semana para cuidar das questões pessoais ou da saúde. O turn over, neste primeiro instante, se manteve estável.

O doutor em economia Marcelo Manzano, diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, diz que o Brasil é capaz de absorver a redução da jornada. A adaptação vai depender de cada setor e cada empresa. Para ele, o funcionário descansado deve levar ao aumento da produtividade.

“Se a pessoa trabalha menos horas na semana, ela tende a, quando estiver trabalhando, a ter um desempenho melhor. Inclusive esta é uma das razões que, indiretamente, afeta também o aumento da produtividade. Não é possível dizer qual é o impacto em termos financeiros do que isso significa, mas não resta dúvida de que esse benefício haverá. E esse benefício, em última instância, retorna para o próprio bom desempenho da empresa”.

O professor ainda disse não acreditar que a escala com um dia a mais de descanso vá provocar um aumento da informalidade. Pelo contrário: onde houve a redução da jornada, o mercado é mais formalizado.

*Com produção de Daniel Lima.

 




Fonte GDF

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