A descoberta de uma gestação de trigêmeos costuma ser rara e, quase sempre, inesperada. Foi assim com a técnica de enfermagem Vanessa Ribeiro Nascimento, de 29 anos. Sem histórico familiar direto, ainda no primeiro ultrassom, com oito semanas, veio a confirmação de que esperava três crianças.
“Senti muito medo quando descobri que eram trigêmeos. Era um misto de emoções: felicidade por serem três, mas, ao mesmo tempo, muito medo pelas dificuldades, pelo trabalho, por tudo o que vinha pela frente”, relembra.
O caso chama atenção pela baixa incidência. Gestações espontâneas de trigêmeos acontecem, em média, em um a cada 7 mil a 10 mil casos. Uma das explicações é a fecundação de dois óvulos, sendo que um deles se divide, formando dois bebês idênticos e um terceiro diferente.
Gravidez de trigêmeos: risco desde o início
Uma gestação de trigêmeos já nasce classificada como de alto risco. Existe uma sobrecarga significativa no corpo da mulher, com aumento das chances de hipertensão, diabetes gestacional e limitações físicas intensas.
“É uma gravidez extremamente delicada, que exige acompanhamento frequente e, muitas vezes, mudanças importantes na rotina da paciente”, afirma a obstetra Silândia Amaral da Silva Freitas, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), responsável pelo parto.
Apesar disso, Vanessa descreve sua experiência como relativamente tranquila dentro do cenário esperado. Ainda assim, precisou interromper o trabalho como técnica de enfermagem e lidar com a preocupação constante com a saúde dos bebês.
“Precisei parar de trabalhar porque já era uma gestação de alto risco, e no meu trabalho eu cuidava de idosos, precisava pegar peso. Não tinha como continuar. Quando a gente descobriu que eram trigêmeos, a decisão foi parar. O medo era constante, eu pensava o tempo todo se eles iam ficar bem, se ia dar tudo certo”, conta.
Bastidores: planejamento antes mesmo do parto
Por ser considerado de risco, o parto de trigêmeos começa a ser organizado muito antes da entrada no centro cirúrgico. A cesariana foi realizada em 27 de março, no Hospital Universitário de Brasília (HUB).
Em gestações de trigêmeos, o parto não é obrigatoriamente cesariana, mas essa é a via mais indicada na maioria dos casos. Como há maior risco de complicações, como posições desfavoráveis dos bebês, prematuridade e necessidade de intervenções rápidas durante o nascimento, a cirurgia é recomendada.
No momento do nascimento, o desafio deixa de ser teórico e vira execução: três bebês, múltiplos riscos e nenhuma margem para erro. “Tive medo, porque é um momento muito delicado. Mas, no fim, foi muito tranquilo. Foi rápido, não teve complicação, foi muito melhor do que eu esperava”, explica Vanessa.
“Era um equilíbrio constante entre agilidade e precisão”, afirma a residente Anna Luísa Dias Bastos de Moura, que participou do parto. A principal dificuldade, segundo ela, foi a logística de atendimento simultâneo dos recém-nascidos, além do risco aumentado de complicações maternas.
Após o parto, a realidade impôs um novo desafio. Os bebês nasceram prematuros, com 31 semanas, o que já era esperado em uma gestação múltipla. Por isso, precisaram de cuidados intensivos logo após o nascimento.
“Eles nasceram prematuros e precisaram de suporte para respirar e ganhar peso. O Arthur ainda continua na UTI porque está abaixo do peso e precisa de acompanhamento mais de perto”, explica Vanessa.
O momento mais marcante foi quando Vanessa conseguiu segurar os três filhos ao mesmo tempo pela primeira vez, uma imagem que resume o peso e a beleza da experiência
Amor multiplicado
Agora, com a rotina completamente transformada, Vanessa enfrenta desafios que vão além do emocional. A chegada de três bebês ao mesmo tempo trouxe impacto financeiro, necessidade de reorganização da casa e uma nova dinâmica familiar. Com apoio do marido, da mãe e das irmãs, ela tenta equilibrar a nova realidade. Apesar das dificuldades, não hesita ao resumir a experiência.
“Hoje, eu agradeço por terem vindo os três. Foram os meus primeiros e já vieram três de uma vez. Todo aquele medo virou amor. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, conta, emocionada.
Para outras mulheres que possam passar por uma gestação de trigêmeos, Vanessa aconselha aceitar a insegurança na certeza de um final feliz: “Dá medo. Mas vale a pena. O amor também vem multiplicado.”
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