Autoridades do futebol se reúnem em Vancouver nesta quinta-feira (30) para o 76º Congresso da Fifa (Federação Internacional de Futebol), um encontro crucial a menos de dois meses do início da maior Copa do Mundo da história, que será realizada no Canadá, no México e nos Estados Unidos.
A guerra no Oriente Médio, os problemas logísticos em torno da Copa do Mundo de 2026 e a questão ainda não resolvida das sanções internacionais contra a Rússia estão na pauta de discussões entre os cerca de 1.600 delegados de mais de 200 associações membros.
A ausência do Irã já ameaça ofuscar o Congresso.
Dirigentes da FFIRI (Federação Iraniana de Futebol) deixaram abruptamente o Canadá após desembarcarem em Toronto no início desta semana e cancelarem a viagem subsequente para Vancouver.
A mídia iraniana noticiou na quarta-feira (29) que o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, e dois colegas retornaram ao país após serem “insultados” por agentes de imigração canadenses no aeroporto de Toronto.
Taj é um ex-membro da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), grupo que o Canadá designou como organização terrorista em 2014.
Ottawa declarou na quarta-feira que indivíduos ligados à IRGC “não têm lugar” em seu território.
Irã levanta dúvidas
O incidente aumenta ainda mais a incerteza sobre a participação do Irã na Copa do Mundo, já fragilizada desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro, com uma onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país asiático.
Dirigentes do futebol iraniano disseram no mês passado que haviam proposto transferir seus três jogos da fase de grupos da Copa do Mundo dos Estados Unidos para o México, um plano que foi prontamente rejeitado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Infanteno disse à AFP que o Irã jogará na Copa do Mundo “onde estiver designado, de acordo com o sorteio”.
O Irã tem dois jogos do Grupo G marcados para Los Angeles, contra a Nova Zelândia em 15 de junho e a Bélgica em 21 de junho. Em seguida, viajará para Seattle para enfrentar o Egito em 26 de junho.
Os Estados Unidos afirmaram que não pretendem excluir jogadores iranianos do torneio, segundo o secretário de Estado Marco Rubio.
Mas ele expressou reservas sobre indivíduos que provavelmente acompanharão a equipe, “alguns dos quais têm ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica”.
Infantino sob escrutínio
O presidente da Fifa chega ao Congresso desta quinta-feira sob intenso escrutínio, após críticas ao aumento exorbitante dos preços dos ingressos da Copa do Mundo e à sua estreita amizade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na terça-feira, a Fifa anunciou que aumentou a premiação da Copa do Mundo para quase US$ 900 milhões (R$ 4,5 bilhões), ante os US$ 727 milhões (R$ 3,6 bilhões) anunciados inicialmente em dezembro.
A decisão foi tomada depois que várias seleções classificadas teriam alertado que corriam o risco de perder dinheiro participando do torneio, citando os altos custos de viagens, impostos e operações em geral.
Enquanto isso, organizações de direitos humanos pediram a Infantino que use seu discurso aos delegados da Fifa para garantir que os visitantes da Copa do Mundo não corram o risco de serem pegos no fogo cruzado da repressão anti-imigração do governo Trump.
Infantino “ainda não explicou publicamente como garantirá a segurança de torcedores, jornalistas e comunidades locais contra prisões arbitrárias, deportações em massa e ataques à liberdade de expressão”, disse Steve Cockburn, chefe de justiça econômica e social da Anistia Internacional, na quarta-feira.
“Este Congresso da Fifa deveria ser o momento para ele fazer isso, e a comunidade global do futebol merece mais do que apenas palavras vazias”, acrescentou Cockburn em um comunicado.
Retirar prêmio de Trump
Infantino também enfrenta pedidos para abolir o Prêmio da Paz da Fifa, que ele concedeu a Trump durante o sorteio da Copa do Mundo realizado em Washington, em dezembro.
“Queremos que seja abolido”, disse Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, a repórteres esta semana. “Não acreditamos que seja parte do mandato da Fifa conceder tal prêmio.”
O congresso de quinta-feira também poderá abordar a questão da continuidade da suspensão da Rússia do futebol internacional, em vigor desde a invasão da Ucrânia em 2022.
Infantino se manifestou a favor do fim da suspensão da Rússia no início deste ano.
“Temos que (considerar a readmissão), sem dúvida”, disse ele à Sky News. “Essa suspensão não alcançou nada; só gerou mais frustração e ódio.”

