quinta-feira 30, abril, 2026 - 10:19

Brasília

Voto Feminino: Sufragistas aos Desafios Atuais

Oi, oi, gente amiga desse nosso programa que, mais do que nunca, saúda o povo e pede pas

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Oi, oi, gente amiga desse nosso programa que, mais do que nunca, saúda o povo e pede passagem à mulher brasileira neste 30 de abril.

 “São donas de casa, professoras, bailarinas, moças operárias, prostitutas, meninas… Lá do breu das brumas vem chegando a bandeira, saúda o povo e pede passagem à mulher brasileira.”

 Pois é, de A a Z, hoje é dia de homenagear, particularmente, aquelas brasileiras que se transformaram em referência bibliográfica em razão de seu destino valoroso e seu pioneirismo na luta pela cidadania feminina em nosso país. A começar pelas sufragistas, responsáveis pelo nosso direito ao voto, que muitos entendem como uma obrigação, mas que na verdade trata-se de um direito a duras penas conquistado, diga-se de passagem.

E é justamente sobre isso que vamos conversar agora, no terceiro e último episódio da série com a qual nos despedimos deste abril marcado por uma intensa mobilização contra a misoginia.

Bom, para quem ainda não sabe, está em curso nos Estados Unidos uma campanha contra o voto feminino. Esse movimento, impulsionado por influenciadores e líderes religiosos, de certa forma pega carona na proposta de reforma eleitoral de Donald Trump que, por óbvio, cria novos obstáculos ao exercício desse direito pelas mulheres.

O assunto não parece sério, mas é real: cresce o número de vozes nos Estados Unidos que defendem o fim do direito ao voto feminino. Para essas pessoas, o ideal seria: “Um voto por família, mas decidido pelo marido.” A socióloga Jacqueline Pitanguy, diretora executiva da CEPIA Cidadania, identifica o fenômeno como um fato gravíssimo. Vamos ouvi-la sobre essa tentativa de manter as mulheres afastadas das urnas e do poder?

“É preciso lembrar, com relação ao voto feminino e a todos os outros direitos que vimos adquirindo ao longo da história, que nada nos foi presenteado. Tudo o que nós temos hoje foi conquistado. E da mesma forma que foi conquistado na luta política, pelo embate, pela negociação, pelo trabalho político desde as sufragistas, podem também ser retirados.

Por isso que é muito importante lembrar que direitos são conquistas diárias e que nós precisamos defender e também começar a estar atentos a sinais de alerta. Acho que o que está acontecendo hoje nos Estados Unidos é extremamente grave, porque é retirar das mulheres a sua cidadania. O exercício do voto, do sufrágio, é um direito de cidadania fundamental. É através dele que você se torna uma pessoa política, que você pode participar e definir, através do voto, as suas opções político-partidárias, etc.

Retirar esse direito às mulheres é colocá-las numa condição de não cidadãs daquele país. É tão regressivo que, às vezes, você acha que não é possível que seja real. Mas o fato de estar acontecendo acende um sinal de alerta aqui para o Brasil.

E é muito interessante porque, por vias tortas, nós vemos mulheres que participam da política, que não só participam, mas se candidatam a deputadas, a senadoras — portanto, defendem a sua presença no espaço político — e, ao mesmo tempo, têm posições extremamente conservadoras com relação ao papel da mulher na política, na vida, afirmam a subordinação da mulher, a obediência ao marido. Isso é muito perigoso porque são como sinais trocados.”

 Bem, Jacqueline, na véspera do 1º de maio, Dia do Trabalho, o que você poderia nos dizer sobre a Lei da Igualdade Salarial?

 Vamos lembrar, Mara, que quando foi votada aquela lei de igualdade salarial para homens e mulheres — igualdade salarial por trabalhos iguais, responsabilidades iguais, não era nada privilegiando, não — houve mulheres que votaram contra. Mulheres que votaram contra! E essas mulheres só chegaram ao poder pela luta das mulheres por igualdade.

Então, nós temos aí um panorama muito complicado, como eu disse, com sinais trocados que confundem. É muito importante que as mulheres estejam atentas no seu voto. Não se deixem cair nessas armadilhas, porque temos aí armadilhas que enganam. Ao mesmo tempo que as mulheres pedem o voto, ao chegarem lá, o seu voto nas diferentes legislações vai ser contra a igualdade das mulheres. Então, vamos fazer atenção e votar com conhecimento.

 Bela reflexão, Jacqueline, para o feriado de amanhã. Viva o voto consciente! Viva Maria!

 




Fonte GDF

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