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Esporte

Bird, Magic e Jordan deveriam agradecer ao Oscar – 17/04/2026 – Esporte

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Desde o início dos anos 1980, quando a NBA engatou uma quinta marcha na profissionalização e se transformou em uma das principais ligas (de qualquer esporte) do mundo, dizem que os melhores jogadores de basquete do planeta passaram por lá. Faltou um: Oscar Schmidt (1958-2026).

Por amor à seleção brasileira, Oscar recusou um convite em 1984 para defender o New Jersey Nets —na época, atletas profissionais não podiam atuar pela seleção, regra que caiu nos Jogos Olímpicos de 1992, ano do Dream Team de Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird, e quando o brasileiro já tinha 34 anos.

Se em 1984 os americanos —criadores do esporte— já conheciam o talento extraclasse do jovem brasileiro, este humilde escriba descobriu um pouco depois, em 1987, ano do Panamericano de Indianápolis.

Na final, o Brasil enfrentou os invencíveis universitários americanos. Sim, apenas os estudantes não profissionais dos EUA eram suficientes para levar o ouro em praticamente qualquer competição, salvo exceções. E jogando em casa, então…

Se fosse preciso apenas um jogo para resumir todas as características de Oscar como atleta, aquela final era o jogo. Antes do fim do primeiro tempo, os americanos, com David Robinson (futuro campeão com o San Antonio Spurs) venciam com certa tranquilidade.

Oscar começou a fazer seguidas cestas de três pontos, sua principal marca. Em alguns casos, esperava o contato e tinha ainda um lance de bonificação —Stephen Curry e James Harden morreriam de inveja.

Na minha memória afetiva, o Brasil virou perto do fim. Na verdade, o Brasil ultrapassou os americanos com uma cesta de três de Oscar, marcando 83 a 80. O placar final foi de 120 a 115, 46 pontos de Oscar —e outros 31 de Marcel, um coadjuvante à altura do protagonista.

Porém, não eram só os pontos, o comportamento do Mão Santa era igualmente marcante. A cada cesta no segundo tempo ele pulava, gritava, socava o ar, como um jogador de futebol faz em um gol. No fim, quando a vitória parecia certa, Oscar deve ter jogado algum tempo chorando… e fazendo pontos.

Choro, cestas de três, uma inabalável perseverança em quadra e alegria. Esse foi Oscar.

Na época, aquela vitória era classificada por muitos como o maior triunfo brasileiro desde o tri da Copa de 1970.

Mas, para ver Oscar em ação, era só com a seleção. O atleta passou os melhores anos de sua carreira, entre 1982 e 1997, atuando na Europa.

Quando voltou ao Brasil, foi jogar para as massas. Ganhou títulos no Corinthians e no Flamengo, equipes de torcidas que podiam comemorar suas cestas à altura, como gols.

Mas aquela final de 1987 foi fundamental para reescrever a história do esporte. Depois da final perdida —somada ao bronze nos Jogos de Seul-1988—, as regras foram alteradas para permitir a atuação dos profissionais. Bird, Magic e Jordan deveriam agradecer ao Oscar.

Talvez tenham agradecido. Em Barcelona-1992, o Dream Team atropelou todos os oponentes, incluindo o Brasil, com o veterano Oscar, por inapeláveis 127 a 83. Ao fim da partida, os americanos, tietados em todos os confrontos, conversaram com Oscar como um igual. Os americanos ficaram com o ouro, mas o cestinha dos Jogos foi o Mão Santa.

Sim, o “se” não deve ser usado para avaliar resultados ou carreiras esportivas. Dito isso, se Oscar tivesse ido para a NBA, é possível que seu nome estivesse agora entre os maiores cestinhas da liga, como LeBron James; ou que Stephen Curry ainda não tivesse batido a marca de maior cestinha dos três pontos. E seria certamente reconhecido como um dos maiores do mundo.



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