Em uma semana de operação da desintrusão da Terra Indígena Sararé, no estado do Mato Grosso, as ações da polícia resultaram em um prejuízo de R$ 26 milhões para os garimpeiros irregulares. O relatório sobre a destruição de maquinários, equipamentos e instalações usadas na exploração ilegal de ouro, foi divulgado nesta semana.
Nos últimos dias do mês de março foram realizadas mais de 120 ações, e 67 pessoas foram presas pela Polícia Federal sem confrontos armados. Quatorze pessoas permanecem detidas.
Entre os materiais apreendidos em 31 acampamentos estão: 4 mil litros de diesel, 76 motores, 40 geradores, 24 quilos de explosivos, 24 aparelhos celulares, além de ouro, escavadeiras e uma arma de fogo.
A Terra Sararé abriga cerca de 200 indígenas do povo Nambikwara, em sete aldeias, pelos municípios matogrossenses de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Aproximadamente 4,2 mil hectares do território já foram impactados pelo garimpo.
De acordo com a Funai, a exploração mineral por lá é antiga: pelo menos desde a década de 1990. A região tem histórico de crimes violentos. Em 2022, a Força Nacional foi convocada para atuar na área que, na época, concentrava cerca de cinco mil garimpeiros ilegais. A partir do ano seguinte, a Polícia Federal e outras forças passaram a atuar na Terra Indígena Sararé.
Em 2024, cinco pessoas foram mortas, ao trocarem tiros com a Polícia Rodoviária Federal durante uma fiscalização do Ibama. Uma semana antes, uma chacina resultou na morte de quatro pessoas.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança, a cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, por onde passa o território Sararé, ficou entre as mais violentas em 2024 devido à presença do Comando Vermelho e a posição estratégica para o tráfico internacional de drogas.
A operação atual de desintrusão da Terra Indígena Sararé deve continuar, segundo o Ministério dos Povos Indígenas, enquanto houver invasores, e a segurança e integridade não estiverem restabelecidas na região.

