quinta-feira 9, abril, 2026 - 5:57

Saúde

Gastroenterologista explica como se recuperar de intoxicação alimentar

Consumir um alimento contaminado pode provocar um quadro conhecido como intoxicação ali

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Consumir um alimento contaminado pode provocar um quadro conhecido como intoxicação alimentar, que costuma causar náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em muitos casos, os sintomas surgem de forma inesperada e podem deixar a pessoa debilitada por algumas horas ou dias.

Diante da suspeita de que algo ingerido fez mal, surge a dúvida sobre o que fazer para se recuperar e quando é necessário procurar ajuda médica.

A intoxicação alimentar ocorre quando alimentos ou bebidas estão contaminados por microrganismos ou substâncias tóxicas. Dependendo da causa, os sintomas podem aparecer rapidamente ou levar mais tempo para se manifestar.

“Quando a intoxicação é causada por toxinas presentes no alimento, os sintomas costumam surgir poucas horas depois da ingestão. Nesses casos, náuseas, vômitos e dor abdominal são os sinais mais comuns”, explica o infectologista André Bon, coordenador da infectologia do Hospital Brasília.

Quando a contaminação ocorre por bactérias, o quadro pode demorar mais para aparecer. “Em infecções bacterianas, como na salmonelose, além de náuseas e vômitos, a diarreia tende a ser mais intensa e pode levar à desidratação”, explica.

Quando os sintomas aparecem

Os sintomas da intoxicação alimentar podem variar de acordo com o agente envolvido e com a resposta do organismo.

A gastroenterologista e hepatologista Cláudia Machado, coordenadora da equipe de gastroenterologia do Hospital da Bahia, acrescenta que, em alguns casos, também podem surgir febre, dor no corpo e sensação de fraqueza. Ela explica que o tempo para o início dos sintomas depende do tipo de contaminação.

“Quando a causa é uma toxina presente no alimento, os sintomas podem aparecer poucas horas depois. Já nas infecções causadas por bactérias ou vírus, o quadro pode levar até dois dias para se manifestar”, afirma.

Por isso, nem sempre o alimento ingerido imediatamente antes do início dos sintomas é o responsável pelo problema.

Intoxicação ou virose?

Na prática, diferenciar uma intoxicação alimentar de outras infecções gastrointestinais não é fácil. Segundo a gastroenterologista Daniela Carvalho, da clínica Gastrocentro, em Brasília, os sintomas costumam ser muito semelhantes.

“A intoxicação alimentar geralmente está associada ao consumo de um alimento específico e pode atingir várias pessoas que ingeriram o mesmo alimento. Já as viroses costumam ocorrer em ambientes fechados, como escolas e creches, e podem se espalhar pelo contato entre pessoas ou por objetos contaminados”, esclarece.

Para quem apresenta os sintomas, no entanto, o mais importante é reconhecer sinais de gravidade e manter os cuidados básicos para evitar complicações.

Como se recuperar em casa

Na maioria das vezes, a intoxicação alimentar é um quadro autolimitado, ou seja, tende a melhorar em poucos dias.  Segundo Daniela, a recuperação geralmente pode ser feita em casa com hidratação adequada, repouso e alimentação leve.

Cláudia reforça que o foco do tratamento inicial é evitar a perda excessiva de líquidos.

“O principal cuidado é garantir a hidratação. O paciente deve beber água e outros líquidos, podendo utilizar soluções de reidratação oral disponíveis em farmácias”, orienta.

Durante o período de diarreia, também é recomendado evitar alimentos muito gordurosos ou pesados. Outra orientação é reduzir temporariamente o consumo de leite e derivados. Isso acontece porque a inflamação do intestino pode provocar uma intolerância transitória à lactose, o que pode agravar os sintomas digestivos.

Quando procurar atendimento médico

Embora a maioria dos casos seja leve, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. Entre os sintomas de alerta estão febre alta persistente, vômitos repetidos, tontura, redução do volume de urina, presença de sangue nas fezes ou sintomas que duram mais de três dias.

De acordo com as especialistas, crianças e idosos exigem atenção redobrada, pois podem se desidratar com mais rapidez. Também é importante buscar atendimento quando o paciente apresenta grande prostração ou sinais claros de desidratação.

Como prevenir intoxicação alimentar?

Alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a reduzir o risco de contaminação por alimentos. A primeira delas é a higiene durante o preparo das refeições.

Cláudia orienta que as mãos sejam bem lavadas antes de manipular alimentos e que utensílios usados em carnes cruas não sejam reutilizados para cortar frutas ou vegetais sem higienização adequada.

Outro cuidado essencial é lavar bem verduras e legumes com solução adequada de hipoclorito e evitar deixar alimentos fora da geladeira por longos períodos. Quem costuma se alimentar fora de casa também deve observar as condições de higiene do local onde está comendo.



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