O Brasil perde cerca de 12 mil profissionais de tecnologia por ano para o exterior, o que representa aproximadamente R$ 2,2 bilhões anuais em capital humano, segundo análise do Índice Global de Maturidade Digital, ferramenta desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Soberania Digital (IBSD).
O levantamento também aponta que 45% dos profissionais brasileiros da área de tecnologia acabam migrando para outros países, em um cenário em que a economia digital responde por 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O estudo indica ainda que o Brasil aparece na 42ª colocação entre 100 países analisados.
Estudo aponta perda anual de profissionais e de capital humano
De acordo com o levantamento, a saída de cerca de 12 mil profissionais de tecnologia por ano tem impacto direto sobre a disponibilidade de mão de obra qualificada no país. Em valores, essa evasão representa aproximadamente R$ 2,2 bilhões anuais em capital humano.
A análise foi feita com base no Índice Global de Maturidade Digital, ferramenta criada pelo IBSD para medir e comparar o nível de autonomia tecnológica de cidades, estados e países a partir de fontes de dados abertas. O instituto foi apresentado como uma organização criada com a meta de colocar o Brasil entre as cinco nações mais soberanas do mundo até 2035.
Fuga de talentos alcança 45% dos profissionais de tecnologia
O levantamento mostra que o país enfrenta um quadro estrutural de perda de talentos. Segundo os dados divulgados, cerca de 45% dos profissionais brasileiros da área de tecnologia acabam migrando para o exterior, atraídos por mercados mais competitivos e pela possibilidade de atuar em empresas globais.
O estudo também informa que o Brasil possui cerca de 12 profissionais de tecnologia para cada mil habitantes. Segundo a análise, esse patamar é inferior ao observado em economias altamente inovadoras e limita a capacidade de expansão do setor digital brasileiro.
Economia digital representa 9,8% do PIB brasileiro
O material divulgado aponta que a economia digital representa 9,8% do PIB nacional. O estudo compara esse peso ao de economias líderes, como Cingapura e Reino Unido, onde o setor já supera 18% da atividade econômica.
Na avaliação geral do índice, o Brasil aparece na 42ª posição entre 100 países analisados. Segundo o levantamento, o resultado reflete avanços em digitalização de serviços e inclusão tecnológica, mas também evidencia desafios relevantes na formação e retenção de capital humano especializado.
IBSD defende prioridade estratégica para formação e retenção
Vice-presidente de Pesquisa e Inovação do IBSD, Alexandre Zavaglia afirmou que a disputa global por talentos digitais deve se intensificar nos próximos anos. “O mundo vive uma corrida global por talentos digitais, e essa disputa tende a se intensificar nos próximos anos. O Brasil tem um ecossistema tecnológico relevante, mas precisa transformar a formação e a retenção de profissionais em prioridade estratégica”, disse.
Segundo o estudo, a evasão de talentos afeta mais do que o mercado de trabalho. O levantamento sustenta que a redução do capital humano especializado compromete a capacidade do país de desenvolver tecnologias próprias ou suas aplicações, ampliar a base de inovação e fortalecer a competitividade digital.
PIX e Open Banking são citados como exemplos de capacidade de inovação
Apesar do diagnóstico de perda de profissionais, o levantamento afirma que o Brasil reúne ativos importantes para ampliar sua maturidade digital. Entre os pontos destacados estão o tamanho do mercado interno, a rápida adoção de serviços digitais e a maturidade do sistema financeiro.
Ao comentar esse cenário, Alexandre Zavaglia afirmou: “O Brasil já demonstrou capacidade de criar soluções digitais com impacto global. Casos como o PIX e o Open Banking mostram como o país pode liderar inovação quando existe coordenação entre regulação, tecnologia e mercado”.
Políticas públicas são apontadas como caminho
Na conclusão do material, o instituto defende políticas públicas voltadas à formação de profissionais digitais, ao estímulo à pesquisa e ao fortalecimento do ecossistema de inovação. Segundo o IBSD, essas ações serão decisivas para ampliar a participação da economia digital no PIB brasileiro e reduzir a dependência tecnológica externa.

