Música, fogos de artifício e algumas rajadas de tiros ecoaram em Bagdá, capital do Iraque, nas primeiras horas desta quarta-feira (1º), depois que a seleção nacional se classificou para a Copa do Mundo pela segunda vez na história.
A equipe garantiu a última das 48 vagas ao vencer a Bolívia por 2 a 1, em Monterrey, no México, na noite de terça-feira (31), recolocando o Iraque na Copa após 40 anos de sua estreia, em 1986. O país jogará o torneio sediado por Canadá, México e Estados Unidos no Grupo I, composto também por França, Senegal e Noruega.
Ali Al Hamadi abriu o placar para o Iraque aos 10 minutos, a Bolívia empatou antes do intervalo, com Moises Paniagua, e Aymen Hussein marcou o gol da vitória no segundo tempo.
A preparação para a partida foi alterada pela eclosão da guerra no Oriente Médio no final de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, arrastando posteriormente o vizinho Iraque para o conflito.
Mais de 100 pessoas morreram no país desde que os combates começaram.
A guerra não estava longe dos pensamentos dos iraquianos nesta quarta-feira, mas isso não impediu que os torcedores lotassem uma das principais ruas comerciais de Bagdá para torcer por sua seleção ao amanhecer.
“Esta vitória é incrivelmente valiosa para nós, apesar da guerra”, disse Ahmed, de 22 anos, à AFP em frente a uma cafeteria no bairro central de Karrada.
As ruas do centro da capital ficaram paralisadas, enquanto milhares de homens subiam em carros e caminhões para celebrar, alguns com lágrimas e agitando bandeiras do país.
Os vendedores ambulantes de chá ofereciam chá de graça para celebrar o marco histórico.
“Apesar da grave situação econômica e da guerra, nossa seleção nacional venceu”, disse aos gritos Ali al Muhandis à AFP. “Estamos vivendo uma guerra que não tem nada a ver conosco, porque é entre Irã, Estados Unidos e Israel”, acrescentou.
O país foi arrastado para o conflito, com ataques dirigidos tanto contra interesses americanos no Iraque quanto contra grupos armados pró-iranianos no país.
A guerra interrompeu um período de relativa paz que os iraquianos desfrutavam após décadas de insegurança e violência.
Sem redes sociais
A seleção iraquiana chegou ao México na semana passada após uma exaustiva viagem de três dias, com alguns jogadores obrigados a fazer parte do trajeto por terra depois que o Iraque fechou seu espaço aéreo devido à guerra.
Após a classificação, o técnico australiano Graham Arnold disse que a seleção iraquiana aproveitará a oportunidade para surpreender o mundo.
“Precisamos ir à Copa do Mundo com mentalidade vencedora – essa é a única forma de conquistar algo especial. Dividir o campo com jogadores como [Kylian] Mbappé e [Erling] Haaland é uma grande honra para nossos jogadores”, afirmou.
“Tudo o que está acontecendo no Oriente Médio tornou as coisas um pouco mais difíceis”, acrescentou.
O treinador baniu o acesso dos jogadores às redes sociais desde a chegada no México para estimular o foco no trabalho e evitar que o grupo se distraísse, pensando nos conflitos do Oriente Médio.
As autoridades haviam prometido pagar bônus aos jogadores se vencessem e também anunciaram um feriado de dois dias após a partida.

