terça-feira 31, março, 2026 - 20:36

Brasil Hoje

Governo estuda novo programa contra superendividamento

Está em processo de estudo no governo a criação de um mecanismo para facilitar a reneg

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Está em processo de estudo no governo a criação de um mecanismo para facilitar a renegociação de dívidas de famílias em situação de superendividamento. A proposta, em discussão no Ministério da Fazenda, prevê o uso de um fundo público para viabilizar crédito com juros mais baixos e prazos mais longos, permitindo a reorganização dos débitos sem comprometer excessivamente a renda.

O modelo ainda não foi definido, mas pode envolver a oferta direta de recursos pela União, a criação de um fundo garantidor para cobrir eventuais inadimplências ou a combinação dessas alternativas. A medida busca ampliar o acesso a financiamento mais barato para substituir dívidas com custos elevados.

Além da Fazenda, instituições financeiras públicas como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal participam das discussões com estudos técnicos e simulações.

Como deve funcionar a proposta

A estratégia em análise envolve a troca de dívidas mais caras por crédito com condições mais favoráveis, utilizando a infraestrutura do Banco Central do Brasil, especialmente por meio do Open Finance, que permite o compartilhamento de dados e a portabilidade de crédito entre instituições.

Na prática, a ideia é permitir que consumidores migrem contratos com juros elevados para novas operações com taxas menores e prazos ampliados, reduzindo o peso das parcelas no orçamento.

Testes iniciais conduzidos pela Caixa indicaram redução significativa nas taxas de crédito pessoal sem garantia, com queda de cerca de 26% para 12% ao mês em simulações internas. A expectativa é que a ampliação da oferta estimule concorrência entre bancos e reduza o custo médio dessas linhas.

Impactos para crédito, consumo e atuação contábil

A possível criação de um novo programa de renegociação tende a alterar o comportamento financeiro das famílias, com reflexos diretos no consumo e na organização orçamentária. A redução do custo do crédito pode ampliar a capacidade de pagamento e reorganizar passivos acumulados.

Para profissionais da contabilidade, o cenário exige acompanhamento das mudanças nas políticas de crédito, especialmente em relação à capacidade de endividamento de clientes pessoa física e seus efeitos indiretos em negócios e fluxo de caixa.

Além disso, a utilização de mecanismos como o Open Finance reforça a necessidade de maior integração entre dados financeiros e planejamento, ampliando a importância da análise estruturada das informações para tomada de decisão.

Relação com programas anteriores e legislação

A iniciativa dialoga com medidas já adotadas nos últimos anos, como o programa Desenrola Brasil, que viabilizou a renegociação de aproximadamente R$ 50 bilhões em dívidas de pessoas físicas.

Também se insere no contexto da Lei do Superendividamento, que alterou o Código de Defesa do Consumidor para permitir a renegociação conjunta de débitos, desde que preservado o chamado mínimo existencial, parcela da renda necessária para despesas básicas.

Apesar das semelhanças, integrantes do governo indicam que o novo modelo deve ter formato próprio e não necessariamente manter a mesma estrutura do programa anterior.

Endividamento das famílias em alta

O debate ocorre em um cenário de aumento do comprometimento de renda das famílias. Segundo dados do Banco Central (BC), esse indicador alcançou 29,3% em janeiro, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.

Entre os fatores que contribuíram para esse avanço está o uso de linhas de crédito emergencial, especialmente o rotativo do cartão de crédito, uma das modalidades mais caras do mercado, com taxas médias superiores a 400% ao ano.

O crescimento do endividamento também está associado à ampliação do acesso ao crédito digital e aos meios de pagamento eletrônicos, que facilitam a contratação de empréstimos e o consumo parcelado.

Discussões com setor financeiro

Representantes do governo têm mantido reuniões com entidades do sistema financeiro para discutir o formato da proposta. Participam das conversas associações que representam bancos, fintechs e instituições de crédito, além de agentes públicos.

O objetivo é estruturar um modelo que permita reduzir o custo do crédito, ampliar o acesso à renegociação e mitigar riscos de inadimplência, mantendo o equilíbrio fiscal.

A proposta segue em análise e ainda não há definição sobre prazos ou formato final de implementação.





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