Na preparação para a Copa do Mundo de 2026, vários estádios da NFL têm enfrentado uma dor de cabeça peculiar: logotipos no telhado que não podem ficar visíveis durante o torneio, por determinação da Fifa.
A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, exige que todas as sedes da Copa do Mundo eliminem marcas existentes. Segundo a entidade, isso visa “proteger suas marcas e os direitos exclusivos de seus patrocinadores”.
E a exigência foi estendida a logotipos ou inscrições voltados para o céu nos telhados dos estádios, aqueles visíveis apenas de aviões ou câmeras aéreas.
Durante meses, os operadores dos estádios estiveram em negociações com a Fifa e terceiros em busca de soluções. A menos de 100 dias do início dos jogos, alguns dos 11 estádios da NFL que sediarão partidas da Copa do Mundo ainda não sabem exatamente como vão cobrir ou ocultar as marcas no teto, de acordo com diversas pessoas familiarizadas com os planos.
E um deles, o Mercedes-Benz Stadium de Atlanta, chegou a uma conclusão desconfortável neste inverno: não conseguiu encontrar uma forma de cobrir a enorme estrela da Mercedes-Benz em seu teto retrátil de oito peças sem correr o risco de danos significativos.
Assim, após aproximadamente 18 meses de discussões, a Fifa concordou em deixar o estádio manter seu teto como está, de acordo com várias pessoas a par da situação.
A Fifa, em comunicado, disse que “não comentaria sobre arranjos específicos relacionados a estádios individuais”.
Em geral, porém, afirmou: “A Fifa está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades dos estádios e cidades-sede para implementar os requisitos de maneira consistente com edições anteriores do torneio, levando em consideração a infraestrutura única e as considerações operacionais de cada sede”.
Os estádios americanos são geralmente mais comercializados do que arenas esportivas em outras partes do mundo. E, até certo ponto, estão acostumados a “descaracterizar marcas” para eventos especiais, como jogos do College Football Playoff. Quando entidades externas alugam estádios da NFL, alguns logotipos e displays de patrocinadores são cedidos ao locatário para branding temporário e específico do evento, especialmente dentro do prédio.
Mas os estádios raramente, ou nunca, precisam abandonar seus nomes patrocinados, como farão neste verão. O Mercedes-Benz Stadium será chamado de Atlanta Stadium. O MetLife Stadium será New York New Jersey Stadium. O Levi’s Stadium em Santa Clara, Califórnia, será San Francisco Bay Area Stadium, segundo a Fifa.
E raramente, ou nunca, foram obrigados a ocultar marcas em seus tetos.
Não precisaram fazer isso na Copa do Mundo de Clubes do verão passado, quando o uso dos estádios foi regido por contratos de aluguel padrão. Mas para a Copa do Mundo, cada estádio assinou um contrato de quase 100 páginas com a Fifa no final da década passada.
Na Cláusula 6.4.ii desses contratos, alguns dos quais foram obtidos por meio de pedidos de acesso a registros públicos, os estádios concordaram com “a exigência de que não haverá publicidade, marketing, promoção, merchandising, licenciamento, sinalização ou outra identificação comercial de qualquer tipo em arquibancadas, placares, assentos, encostos de assentos, relógios, uniformes de funcionários, credenciais, cercas ou em qualquer outro lugar dentro, ao redor ou no espaço aéreo acima e ao redor do estádio, além daquilo que for instalado pela Fifa, ou sob sua orientação, ou que seja aprovado por escrito pela Fifa”.
Esse foi o desafio que os dirigentes do Mercedes-Benz Stadium enfrentaram anos atrás. Adam Fullerton, vice-presidente de operações do estádio, disse no início de 2025 que estava confiante na capacidade de sua equipe de cobrir toda a sinalização interna e em seu extenso plano de instalar um gramado natural no lugar do sintético; mas o teto, disse ele, era “o que está me tirando o sono”.
“E não está só no teto”, disse ele sobre os logotipos da Mercedes, que representam um claro conflito com os “parceiros oficiais de mobilidade” da Fifa, Hyundai e Kia. “Está em todas as fachadas do estádio também. E não são pequenos. São grandes. Por design.”
A Fifa, ele reconheceu, tinha o “princípio de local limpo no contrato”, mas então acrescentou com um sorriso: “Tem havido um debate saudável sobre o que exatamente significa local limpo”.
Ele disse que ele e o estádio estavam tentando encontrar uma ideia de como mascarar esses logotipos, mas ainda deixar o prédio com aparência apresentável e divertida.
“Então eu realmente pressionei a Fifa e disse: ‘OK, nos ajudem. Como vocês vão identificar nossa sede? Nos ajudem a criar um pacote de identidade visual’.”
Processos semelhantes estavam em andamento em outros estádios da Copa do Mundo. Otto Benedict, vice-presidente de instalações do SoFi Stadium, disse na época que ele e sua equipe estavam documentando e identificando toda a sinalização que precisaria ser tratada. “Isso vai para a Fifa”, disse ele. “E então vamos esperar a confirmação deles sobre o que querem ver. E então vamos montar um plano.”
Apesar da marca SoFi no teto do estádio, Benedict não parecia muito preocupado. Mas “conversando com meus colegas”, observou, “eles estão um pouco sobrecarregados com o que têm que fazer”.
O Hard Rock Stadium de Miami, o Lumen Field de Seattle, o AT&T Stadium de Dallas, o NRG Stadium de Houston e o Lincoln Financial Field da Filadélfia também têm marcas voltadas para o céu.
Os logotipos do Hard Rock em Miami e as letras em Seattle —que se estendem aproximadamente pelo comprimento de um campo de futebol americano— estão em ambos os lados de tetos parciais.
A marca em Houston está nas chamadas pálpebras de um teto retrátil, o que significa que está sempre visível de cima.
A marca na Filadélfia está ao lado de painéis solares em bordas finas que cobrem os assentos mais altos no deck superior.
Em Arlington, Texas, na casa do Dallas Cowboys, há dois grandes logotipos da AT&T em cada extremidade de um teto retrátil e “AT&T Stadium” estampado em ambos os lados.
Representantes e outras pessoas familiarizadas com o planejamento em vários estádios disseram este mês que eles precisam cobrir as marcas no teto. Mas não puderam dizer como, exatamente, isso seria feito.
O gerente geral do Lumen Field, Zach Hensley, disse ao Puget Sound Business Journal em novembro que descobrir uma solução para o teto era a parte mais difícil do processo de remoção de marcas, e seria feito profissionalmente, não com algo como uma lona.
Foi mais difícil, porém, em Atlanta, que está programada para sediar oito jogos, incluindo uma semifinal.
A estrela no teto do Mercedes-Benz Stadium está estampada em oito painéis interligados e móveis, cada um pesando 500 toneladas e medindo 67 metros. As pétalas, como são chamadas, se fecham para formar um telhado de vários hectares “inspirado no óculo do antigo Panteão romano”.
Os painéis são um “material plástico maleável inflado com ar”, explicou Fullerton em janeiro. “Então essas almofadas apresentam um certo desafio. Temos que subir nessas almofadas e realmente cobrir o emblema e fazê-lo desaparecer.”
Na época, ele indicou que o plano principal era um “gráfico de vinil e um método de aplicação bem interessante” para cobrir o emblema. Mas representantes do estádio alertaram que o plano não estava concluído.
“Tivemos muitas conversas longas com nossos fabricantes e instaladores do sistema do teto”, disse Fullerton, “e nosso fornecedor de sinalização que contratamos para nos ajudar com muito desse trabalho.”
Menos de dois meses depois, essas conversas levaram ao acordo com a Fifa de que o emblema não precisaria ser coberto, afinal.
A Fifa, quando questionada sobre o motivo, não explicou. Representantes do Mercedes-Benz Stadium também se recusaram a comentar. Mas várias fontes disseram que a principal razão para a exceção foi o risco de danos ao teto, que poderia custar milhões de dólares para reparar.
No início das conversas com vários estádios, soluções digitais também foram discutidas. A ideia era que as equipes de produção de transmissão pudessem usar tecnologia, como imagens geradas por computador, para apagar logotipos virtualmente para espectadores ao redor do mundo. Um representante da Fifa disse ao Sports Business Journal no verão passado que a tecnologia não estava avançada o suficiente para garantir cobertura total em tomadas aéreas dos estádios, mas presumivelmente continua sendo uma opção.
Os transmissores também poderiam ser obrigados a evitar tomadas aéreas do Mercedes-Benz Stadium. Não está claro qual será a solução final.

