Sem conseguir cumprir sua programação completa nos primeiros treinos livres em Suzuka, Gabriel Bortoleto teve um início de fim de semana comprometido no GP do Japão, o que reduz sua margem de reação na etapa.
Após um começo de temporada de adaptação, com um top 10 no GP da Austrália e um revés na prova seguinte, na China, quando não conseguiu sequer largar por causa de um problema mecânico, o brasileiro trata a corrida japonesa como uma oportunidade de recuperação dentro do projeto da Audi.
“Foi uma sexta-feira com sentimentos mistos”, afirmou Bortoleto. “A sessão da manhã foi bem tranquila, mas identificamos um problema logo no início do TL2 e optamos por fazer uma troca preventiva da caixa de câmbio, como a maneira mais rápida de voltar à pista. Isso significou perder tempo nos boxes.”
O brasileiro reconheceu o prejuízo, mas destacou o esforço da equipe para minimizar os danos em um fim de semana em que tenta reagir mesmo com preparação limitada —na madrugada deste sábado (28), ele disputa a classificação às 3h (de Brasília). A corrida, na madrugada de domingo (29), tem largada marcada para as 2h.
Bortoleto sabe que ainda há margem para evolução, mesmo já tendo pontuado na primeira etapa da temporada, quando completou a prova na Austrália em nono. O início da Audi indica que há potencial no carro, ainda que o projeto esteja em fase inicial.
“Na F1 atual, eficiência e gestão de energia são fatores determinantes de desempenho”, afirmou um porta-voz da Audi à Folha. “A integração do sistema híbrido é uma das maiores complexidades.”
Segundo a equipe, o cenário exige precisão no acerto e consistência ao longo do fim de semana, o que amplia o impacto de qualquer limitação de tempo de pista, como sofreu Bortoleto no Japão.
A equipe alemã, aliás, largou de forma sólida na temporada e conseguiu pontuar já na primeira corrida, algo incomum para estreantes recentes na principal categoria do automobilismo mundial. O desempenho indica uma base competitiva consistente, ainda que o planejamento preveja evolução gradual antes de brigar por posições mais altas no grid.
Fora da pista, o momento da equipe também é de transição. A Audi confirmou a saída do chefe Jonathan Wheatley após apenas duas etapas da temporada, citando motivos pessoais, e transferiu suas funções para Mattia Binotto, responsável pelo projeto na categoria.
A mudança exige uma reorganização interna em meio a um projeto que já prevê crescimento progressivo nos primeiros anos. “O foco nos primeiros anos é construir uma base sólida e evoluir de forma consistente temporada a temporada”, afirmou o porta-voz da Audi.
Ao comentar a saída de Wheathley, Bortoleto afirmou que, quando existem assuntos pessoais importantes, eles naturalmente se tornam prioridade, acima de qualquer compromisso profissional. “Acho que ele não pôde se comprometer totalmente com o projeto porque tinha assuntos pessoais que tornou públicos, e quando você tem assuntos pessoais que precisam ser resolvidos, essa é a prioridade”, disse.
Wheatley foi um dos líderes do projeto que levou a Audi à F1, atraída pelo novo regulamento da categoria, que combina mudanças profundas em aerodinâmica e unidades de potência. O regulamento ampliou o peso da eletrificação, com cerca de metade da potência vindo de sistemas elétricos, e introduziu combustíveis 100% sustentáveis, aproximando a categoria dos desafios enfrentados pela indústria automotiva.
Para a montadora alemã, o campeonato funciona como uma plataforma de desenvolvimento tecnológico. A maior liberdade no trabalho com baterias e sistemas de recuperação de energia abre espaço para avanços em eficiência, gestão energética e integração entre motor e chassi, elementos que também são centrais nos carros de rua.
Nesse contexto, a F1 voltou a atrair grandes fabricantes ao oferecer um ambiente mais alinhado às demandas da indústria automotiva.

