Reta final da CPI Mista do INSS. Leitura do relatório na quarta-feira e votação na quinta. Pelo menos essa é a previsão, já que a CPI não deve mesmo ser prorrogada.
Nesta segunda-feira estava marcado o último depoimento da CPI. O de Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, que não foi notificada. A CPI não conseguiu localizá-la.
Enquanto isso, continuam as tratativas para a delação de Vorcaro. Desde quinta-feira à noite, ele está na Superintendência da Polícia Federal, quando assinou o termo de confidencialidade. Durante o fim de semana, recebeu a visita da defesa.
A delação é muito aguardada porque Vorcaro – considerado o cabeça do esquema – tinha relações com muita gente, em muitas áreas e poderes. E os termos desse acordo são o que está sendo decidido. Quais benefícios Vorcaro terá. Redução de pena ou de multa, por exemplo. E não é só chegar e falar, não. É preciso comprovar tudo ou mostrar aos policiais onde conseguir as provas. É o que explica o advogado especialista em direito penal, Max Telesca.
“Ela precisa montar um quebra-cabeça e tem peças que estão faltando. E além de um quebra-cabeça, ele pode pode também aparecerem outros crimes que eventualmente não tenham sido ainda detectados pela própria polícia federal. Então, basicamente é isso. O interesse da polícia é que se tragam elementos corroboradores daquela apuração que está sendo feita. Não basta trazer algo que a polícia já sabe. A polícia precisa ter elementos novos e concretos.
Outro ponto que o advogado reforça é que, apesar das especulações, a Lei 12850 de 2013, que trata da delação, é clara: o delator precisa falar tudo o que sabe.
“A lei não permite uma delação seletiva. Embora se possa tentar, embora se possa eh eh pensar nisso, se é uma delação de acordo com com o artigo terceiro C, parágrafo terceiro da lei que prevê a colaboração premiada, o colaborador deve narrar todos os fatos ilícitos para os quais concorreu, ou seja, tudo que ele fez e que tenha uma relação direta com os fatos investigados. “
O especialista ainda disse que o fato de Vorcaro estar na superintendência da PF facilita que ele já comece a falar. Os depoimentos podem começar já esta semana. Claro, cercados de confidencialidade, de sigilo, mas também de muita expectativa sobre o que ele vai falar, de quem e com quais provas.

