O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro iniciou, nesta segunda-feira (23), o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr, Jairinho, e de Monique Medeiros, acusados da morte do menino Henry Borel, em 2021. O júri popular da mãe e padrasto da criança ocorre após os trâmites processuais e muitos recursos da defesa dos réus.
Denunciados pelo Ministério Público, Jairo responde por homicídio qualificado e Monique por homicídio por omissão qualificado. Ambos estão presos.
Ao longo da sessão, presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro, estão previstos depoimentos de 26 testemunhas e dos réus, além de debates das defesas e do Ministério Público.
Muito emocionado, o pai de Henry, Leniel Borel, conversou com jornalistas antes do início da sessão e disse estar confiante na condenação de Jairinho e Monique.
“Após inúmeros habeas corpus e inúmeros remédios jurídicos, inúmeras manobras de tentar adiar, por último agora, estão tentando anular provas que são essenciais para o processo. São cinco anos que eu sei todo dia o que aqueles dois monstros tentam influenciar pessoas, difamar, caluniar… mas agora a justiça vai ser feita. Muita expectativa para esse júri, eu espero que os jurados façam justiça pelo meu filho na proporção da brutalidade que fizeram com o Henry”.
Já a defesa de Jairinho alega que não teve acesso a peças incluídas no processo.
“A defesa tem como expectativa que o júri, quando tiver acesso a essas informações que já são públicas, os jurados vão reconhecer que o menino não morreu em decorrência de agressões do Jairinho, porque essas agressões não ocorreram”.
Relembre o caso
Henry Borel Medeiros morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, na zona sudoeste carioca.
O menino foi levado pelo casal a um hospital particular, onde alegaram que ele teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal apontou que a criança sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de rotinas de tortura praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento das agressões.

