segunda-feira 2, março, 2026 - 18:40

Esporte

Harlem Globetrotters: 100 anos de basquete e diversão – 02/03/2026 – Esporte

Enterradas de alto nível, assistências incríveis e jogadas improváveis: os Harlem Glo

image_printImprimir


Enterradas de alto nível, assistências incríveis e jogadas improváveis: os Harlem Globetrotters celebram este ano seus 100 anos de vida depois de terem conquistado o mundo, popularizado o basquete fora dos Estados Unidos e contribuído para a causa afro-americana, em uma trajetória não isenta de críticas.

Em turnê tanto em seu país quanto em vários países do mundo, eles começarão março no Reino Unido, antes de passar grande parte do mês em cidades da França e seguir rumo à Turquia no início de abril.

Embora tenha sido fundado em Chicago em 1926, seu proprietário e empresário —que era branco— Abe Saperstein optou pelo nome Harlem, um bairro de Nova York então epicentro da cultura negra estadunidense, “porque queria que todo mundo soubesse que era um time composto unicamente por afro-americanos”, explica Susan Rayl, da Universidade Estadual de Nova York em Cortland.

O termo “Globetrotters” surgiu porque Saperstein, um visionário com um apurado senso de negócios, “previu que um dia eles estariam em turnê pelo mundo”, acrescentou a especialista acadêmica.

Turnê mundial

Antes dessa conquista global, a equipe viajava pelos Estados Unidos para competir contra times formados apenas por brancos, em um ambiente muito diferente das exibições e shows que realizam hoje.

Muito superiores aos seus oponentes, os Harlem Globetrotters começaram, no final da década de 1930, a apresentar o espetáculo que lhes trouxe fama mundial, em grande parte devido às suas habilidades acrobáticas no basquete e jogadas que desafiavam os limites do possível.

Essa abordagem não agradou ao dono e gerente do time “Black Fives”, também composto inteiramente por jogadores negros, numa época em que eles eram impedidos de participar de ligas profissionais devido à segregação.

“Ele era originário das Antilhas britânicas e não gostava das palhaçadas dos Harlem Globetrotters, que considerava degradantes. Para ele, transmitiam uma imagem de descendentes africanos analfabetos e idiotas. Muitos afro-americanos compartilhavam essa opinião”, explica Susan Rayl.

Jogadores pioneiros

As mesmas críticas foram ouvidas durante o período do movimento dos direitos civis das décadas de 1950 e 1960.

O pastor e ativista Jesse Jackson, falecido recentemente, os defendeu: “Acho que eles têm uma influência positiva. Eles não retratam os negros como estúpidos, mas sim como superiores.”

A popularidade da equipe no final da década de 1940 os levou a enfrentar os Lakers em 1948 e 1949. Os Lakers, então sediados em Minneapolis, eram campeões da BAA (Basketball Association of America), uma das ligas da época.

O objetivo também era comercial, mas as duas vitórias dos “Trotters” contribuíram para a integração de jogadores negros em ligas profissionais: em 1950, Nathaniel Clifton se tornou o primeiro afro-americano a ingressar na recém-formada NBA.

No mesmo ano, Chuck Cooper foi o primeiro jogador negro escolhido no draft, pelo Boston Celtics, na décima quarta escolha.

A partir da década de 1950, os Harlem Globetrotters exportaram seu talento para o exterior e se tornaram quase como estrelas do rock, atraindo uma multidão de 75.000 pessoas para o Estádio Olímpico de Berlim em 1951.

Enquanto a NBA permanecia confinada às fronteiras do país, os Harlem Globetrotters se tornaram os verdadeiros embaixadores do basquete americano para o mundo.

Eles foram recebidos pelo Papa Pio XII em 1952 e viajaram para a União Soviética com Wilt Chamberlain, uma futura estrela da NBA.

“Na década de 1950, eles foram nomeados embaixadores da boa vontade e enviados ao exterior pelo Departamento de Estado para mostrar a diversidade e a igualdade que os Estados Unidos projetavam, embora isso não fosse realmente o caso”, explica Susan Rayl.

Os atuais Harlem Globetrotters, adquiridos em 2013 por uma empresa de parques de diversões, afirmam “dar continuidade a esse legado, buscando causar um impacto positivo no mundo”, segundo “Wham” Middleton, um dos membros atuais.

Além das acrobacias e das manobras, seu impacto é inegável, e com razão: em 2002, eles foram incluídos no Hall da Fama do Basquete em Springfield, Massachusetts.



Fonte da Notícia

Leave A Comment