Nas últimas décadas, o futebol evoluiu bastante. As partidas são mais intensas, os jogadores correm mais, as equipes são mais compactas, existem mais jogadas ensaiadas, estratégias e tantos outros detalhes técnicos, táticos e físicos. Na parte emocional, importantíssima, há muito o que melhorar.
No meio de semana, Palmeiras e Fluminense fizeram um ótimo jogo, cada um a seu jeito. O Palmeiras prioriza as transições rápidas da defesa para o ataque, as bolas longas e os cruzamentos. O Fluminense aproxima mais os jogadores e troca mais passes para envolver o adversário. Foi um jogo equilibrado, com várias chances claras de gol para os dois times.
Futebol não é apenas estratégia, planejamento e ciência esportiva.
O Flamengo perdeu para o Lanús por inúmeras razões. Uma delas é a eficiência dos times argentinos contra os brasileiros, mesmo quando são inferiores. Outros motivos são os detalhes técnicos, inesperados e imprevisíveis. O futebol tem muito mais razões do que imagina a nossa pretensiosa sabedoria.
O futebol evoluiu bastante, o que não significa que no passado os jogadores andavam em campo e que os times não tinham estratégias e preocupações coletivas. Como no presente, havia ótimas e ruins equipes e jogadores. Os atletas tinham mais espaço para jogar, mas, por outro lado, tinham mais espaço para mostrar suas deficiências. Hoje o jogo é mais disputado e depende mais das condições físicas.
O futebol, como a vida, está repleto de lendas, mitos e de histórias e fatos distorcidos.
As pessoas costumam se lembrar mais daquilo que desejam que da realidade. Diferentemente do que se diz atualmente, a seleção brasileira de 1970 não era apenas um time ousado, ofensivo e com grandes craques. Era bastante planejada, treinada e coletiva. Zagallo, logo que assumiu o comando do time, trocou um ponta driblador e rápido (Edu) por um meio-campista (Rivellino), formando um trio no meio-campo para melhorar a marcação e a construção de jogadas.
Outra lenda é a de que a seleção de 1970 tinha cinco jogadores que eram camisa 10 nos seus clubes. Apenas eu e Pelé jogávamos nos clubes nessa posição, embora eu atuasse com a camisa 8 no Cruzeiro. Rivellino e Gerson atuavam em seus times nas posições de camisa 8, mais recuados e próximos do volante. Jairzinho, no Botafogo, atuava como um segundo atacante ou de ponta-direita, entrando em diagonal para o centro, como jogou na Copa de 1970. Apenas eu e Rivellino mudamos de posição. Dei um passo para a frente para ser um centroavante e Rivellino deu um passo para a esquerda, para ser um meio-campista pelo lado.
O futebol e a vida não começaram com a internet. Não podemos ser saudosistas ou sonhadores quixotescos nem ficar deslumbrados com algumas idiotices tecnológicas.
Lugar certo
Neymar, com duas belíssimas e precisas tacadas, fez os dois gols do Santos na vitória de 2 a 1 sobre o Vasco. Enfim voltou a jogar no ataque, mais perto do gol e do centroavante, em vez de jogar recuado, recebendo a bola na própria intermediaria, como fez nos últimos anos. Contra o Vasco, pegou menos na bola e tentou menos dribles, mas foi decisivo. Ali é o seu lugar.

