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Didi, amigo e barbeiro inventor do topete de Pelé – 24/02/2026 – Cotidiano

Mesmo já nos últimos dias de vida, Pelé (1940-2022) ainda carregava consigo o inconfun

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Mesmo já nos últimos dias de vida, Pelé (1940-2022) ainda carregava consigo o inconfundível topete bem aparado que o acompanhou durante quase toda da vida. O inventor do corte que virou a marca registrada do Rei do Futebol era João Araújo, popularmente conhecido como Didi.

Barbeiro de Edson Arantes do Nascimento por mais de 60 anos, ele morreu na madrugada desta terça-feira (24), aos 87 anos, após complicações decorrentes de cirurgias no intestino. Deixa a mulher e três filhos.

Didi estava internado desde o início do mês no hospital Beneficência Portuguesa, em Santos, e passou por dois procedimentos cirúrgicos para tratar problemas intestinais, mas seu quadro de saúde se agravou. Não resistiu a uma parada cardiorrespiratória durante a madrugada.

“Depois da morte do Pelé, ele se abateu demais. Mexeu bastante com ele”, afirmou Célia Araújo, filha do barbeiro, ao site G1.

O fiel amigo de Pelé o conheceu antes de o Rei ser “coroado”, quando tinha apenas 15 anos. Chegou a Santos no mesmo ano em que cortou o cabelo do ex-atleta pela primeira vez, em 1956, aos 18 anos, vindo da pacata Rio Pardo de Minas, na região norte de Minas Gerais.

Logo no primeiro encontro, Pelé foi enfático: queria um corte com um topete, algo que ninguém conseguia acertar. Didi aceitou o desafio e o resultado foi tão satisfatório que a parceria durou mais de 60 anos. Ambos são mineiros, já que Pelé nasceu em Três Corações.

“Assim que Pelé chegou ao salão, ficou meio desconfiado, afinal eu também era muito novo. Ele perguntou se eu conseguia cortar o cabelo, deixando um topete. Eu respondi: ‘Vamos tentar, se você gostar eu ganharei um cliente; se não gostar, pelo menos você terá um amigo’”, contou, em entrevista ao site do Santos em 2018.

A barbearia de Didi, localizada próxima ao portão 6 da Vila Belmiro, transformou-se em um ponto turístico. No local, ele exibia orgulhoso presentes que ganhou, como chuteiras, quadros e fotos autografadas com a dedicatória: “Para o Didi, o maior barbeiro do Brasil”.

Além de Pelé, Didi cuidou do visual de outras lendas santistas, como Pepe, Mengálvio e Coutinho. Em suas redes sociais, o Santos e ex-jogadores lamentaram a partida.

“Sua barbearia nunca foi apenas um espaço de cuidado e vaidade. Era ponto de encontro de conversas animadas, risadas e amizades que atravessaram gerações. Fica a saudade de um homem simples, generoso e sempre pronto para ouvir. Vá em paz, querido Didi. Sua memória permanecerá viva em cada história contada naquela cadeira”, escreveu Pepe.

Até pouco antes da partida de Pelé, eram constantes as idas do barbeiro até a residência do ex-atleta, no Jardim Acapulco, em Guarujá, para revê-lo e cortar o seu cabelo.

No dia da morte do Rei, em 29 de dezembro de 2022, ele fechou as portas assim que foi informado da perda do amigo.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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